Novembro azul traz alerta para a saúde integral masculina

Alterações hormonais silenciosas, como a baixa testosterona, impactam desempenho físico, disposição, humor e prevenção de doenças graves

Por Bendita Letra
5 Min

Novembro azul traz alerta para a saúde integral masculina
Arquivo Pessoal/Divulgação

O Novembro Azul é tradicionalmente reconhecido pela conscientização sobre o câncer de próstata. No entanto, a visão moderna da saúde masculina exige um olhar muito mais amplo, que abrange o bem-estar integral, o sistema endócrino e o metabolismo. Alterações hormonais silenciosas, como a queda da testosterona, podem ser o ponto de partida para um ciclo vicioso de inflamação e doenças, impactando a qualidade de vida e a longevidade dos homens.

Por muitos anos, a prevenção da saúde masculina foi dominada pelo estigma do câncer de próstata e a aversão ao toque retal. Hoje, felizmente, a tecnologia e uma mudança cultural estão revertendo esse cenário. "O cenário vem mudando. Hoje sabemos o quanto o diagnóstico precoce aumenta a sobrevida e reduz complicações. Além disso, dispomos de ferramentas de altíssima precisão que facilitaram enormemente a investigação e, muitas vezes, reduziram ou até eliminaram a necessidade do toque retal. Avaliamos o PSA, realizamos ultrassonografia e, sobretudo, contamos com a ressonância magnética prostática, um exame altamente sensível que auxilia, de maneira muito robusta, a excluir um possível câncer. Isso tem diminuído o preconceito e trazido os homens de volta ao consultório", afirma o Dr. Rafael Fantin, Endocrinologista e Metabologista, especialista em Medicina do Exercício e Esporte. 

Falar sobre saúde masculina é olhar para o sistema endócrino e metabólico como um todo. A próstata, por exemplo, é um órgão influenciado ao longo dos anos por desnutrição, inflamação e disfunções hormonais. A predisposição genética existe, mas sua manifestação maligna é fortemente modulada pela epigenética, ou seja, pelo impacto do ambiente e do estilo de vida. Um dos pilares centrais dessa visão é a queda progressiva e silenciosa da testosterona, frequentemente ligada a um estilo de vida de risco: sono insuficiente, estresse crônico, ganho de peso, alimentação inadequada e sedentarismo.

"A clínica da testosterona baixa é muitas vezes confundida com 'cansaço'. O paciente diz: minha libido está baixa porque estou cansado. O cansaço até contribui, mas ele também é consequência da própria deficiência hormonal. A testosterona é essencial: ela estimula o anabolismo muscular, regula libido e ereção, e participa da produção de neurotransmissores como serotonina (bem-estar), dopamina (ânimo e motivação) e noradrenalina (foco e organização mental)", explica o Dr. Fantin

A deficiência não resulta apenas em queixas sexuais; ela leva à perda de interesse geral pela vida, com redução da vontade de socializar, se divertir e experimentar coisas novas. "Não é à toa que, quando corrigimos uma deficiência verdadeira, muitos pacientes relatam a mesma frase: testosterona é vida", complementa o médico.

A baixa testosterona tem um impacto profundo no metabolismo, muito além do desejo. O hormônio deficiente aumenta a resistência à insulina, gerando hiperinsulinemia, facilitando o ganho de peso e alimentando um estado inflamatório persistente.

"Inflamação e hiperinsulinemia, juntas, alteram receptores hepáticos de colesterol, aumentando o LDL negativo. É o que chamamos de janela hormonal: a testosterona baixa prejudica a regulação da glicose e do colesterol, elevando o risco cardiovascular," alerta o especialista. Ele ressalta que homens com distúrbios glicêmicos, como o pré-diabetes, precisam de níveis mais altos de testosterona para manter o equilíbrio metabólico, idealmente acima de 450 ng/dL.

A deficiência crônica leva ainda à desmotivação, perda de energia e redução da força de vontade para treinar, diminuindo a massa magra. "Menos músculo significa mais gordura, mais inflamação, mais resistência à insulina. É o início de um ciclo vicioso negativo", finaliza. 

Acompanhe o trabalho do Dr. Rafael Fantin nas redes sociais: @dr.rafaelfantin | institutorafaelfantin.com.br 


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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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FONTE: Dr. Rafael Fantin — Endocrinologista e Metabologista | Especialista em Medicina do Exercício e Esporte | Especialista Prática Ortomolecular e Nutrigenômica
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