Fisiologismo na Política: Como o Caso Alcolumbre Expõe a Corrupção em Prefeituras e Câmaras Municipais

Do Senado às prefeituras: as práticas que revelam a crise ética no sistema político brasileiro.

MáRCIO DE ANDRADE PRADO
03/12/2025 11h31 - Atualizado há 5 dias

Fisiologismo na Política: Como o Caso Alcolumbre Expõe a Corrupção em Prefeituras e Câmaras Municipais
Imagem: Waldemir Barreto/Agência Senado
O debate nacional reacendido pela carta de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, criticando o governo Lula, revela um fenômeno político que também domina prefeituras e câmaras municipais em todo o país: o fisiologismo.
A prática, muitas vezes suavizada pelo termo técnico, nada mais é do que corrupção, suborno e troca de favores políticos.
 
A definição de “corromper” é clara: estragar, perverter, adulterar e, sobretudo, subornar.
Na carta divulgada em 30/11, Alcolumbre classificou como ofensiva a tentativa do governo federal de criar uma “falsa impressão” de que divergências entre os poderes seriam resolvidas por “interesse fisiológico, com cargos e emendas”.
O texto surgiu durante o conflito gerado pela decisão de Lula de escolher Jorge Messias para o STF, contrariando a expectativa de Alcolumbre, que defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
 
As práticas fisiológicas estão tão incorporadas à política brasileira que já não causam indignação — são tratadas com normalidade pela própria imprensa. Porém, o termo “fisiologismo” funciona como um eufemismo para o que realmente ocorre: corrupção institucionalizada.
 
Nas prefeituras e câmaras municipais, esse fisiologismo se expressa principalmente por meio da negociação de cargos comissionados, “mensalinhos”, contratos direcionados e licitações manipuladas.
Vereadores, além do apoio político, indicam empresas para contratos diretos, formando uma rede de vantagens que influencia decisões públicas e sequestra a independência do Legislativo.
 
Assim como a violência cotidiana deixou de causar espanto, o fisiologismo político também foi normalizado. O termo usado para justificar esse cenário é sempre o mesmo: governabilidade.
 
Há muito tempo, o país abandonou o caminho demorado e legítimo do convencimento e do diálogo com o eleitor, substituindo-o pelo atalho fácil do toma-lá-dá-cá, conceito popularizado no escândalo do mensalão, em 2005, por Roberto Jefferson.
Depois disso, o Congresso e o Executivo mantiveram a lógica das trocas, inovando ao substituir o suborno mensal por emendas Pix. Nos municípios, nada mudou: cargos, mesadas, envelopes e favorecimento por meio de contratos continuam sendo a moeda política.
 
Quando a prática errada se torna regra, resta uma pergunta incômoda: será preciso jogar segundo as regras da corrupção para, algum dia, conseguir mudá-las?
 

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