Vacina contra HPV pode prevenir mais de 90% dos casos de câncer relacionados ao vírus
Ginecologista cooperada da Unimed Goiânia, Dra. Rosane Figueiredo, reforça que a imunização deve começar aos 9 anos e é indicada para homens e mulheres
KASANE COMUNICAÇÃO
01/12/2025 16h24 - Atualizado há 1 semana
divulgação freepik
A vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) tem potencial para prevenir cerca de 90% dos casos de câncer do colo do útero, relacionados ao vírus, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o HPV é responsável por aproximadamente 17 mil novos diagnósticos desse câncer por ano, conforme o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estudo publicado no New England Journal of Medicine em 2020, mostrou que a vacinação antes dos 17 anos reduziu em até 85% o risco de desenvolvimento do câncer de colo uterino, o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, associado ao HPV. A transmissão do HPV ocorre por contato pele a pele, o que torna o uso do preservativo insuficiente para eliminar o risco de infecção. Apesar das evidências de eficácia, a cobertura vacinal segue abaixo da meta. A ginecologista cooperada da Unimed Goiânia – Cooperativa de Trabalho Médico, Dra. Rosane Figueiredo, destaca que a vacinação deve começar cedo. “A vacina contra o HPV deve ser administrada idealmente dos 9 aos 14 anos, quando o sistema imunológico responde melhor. Iniciar antes do primeiro contato com o vírus é essencial, porque a vacina é preventiva, não curativa. Portanto, não atua sobre infecções já adquiridas”, explica. Por que vacinar entre 9 e 14 anos? Segundo a médica, essa faixa etária reúne vantagens determinantes. “Além da resposta mais robusta de anticorpos, que permite utilizar menos doses, é muito provável que a imunização seja iniciada antes da exposição ao vírus. Vacinar mais cedo oferece a mesma proteção com número reduzido de aplicações”, afirma. Ela ressalta que a eficácia se mantém em diferentes idades, seguindo as orientações das sociedades científicas. No serviço privado, a vacina nonavalente, produzida pela MSD, está disponível no Brasil desde 2023 e oferece proteção ampliada contra sete tipos de HPV de alto risco e dois de baixo risco. Com base em ensaios clínicos, a recomendação da fabricante é a aplicação de duas doses para jovens de 9 a 14 anos e três doses para pessoas de 15 a 45 anos. Já a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) orienta duas doses para pessoas de 9 a 19 anos e três doses para adultos de 20 a 45 anos. “A aplicação da vacina dos 9 aos 45 anos se deve ao fato de que os estudos conduzidos pelo fabricante incluíram essa faixa etária. Porém, a decisão de vacinar fora desse limite pode ser considerada e deve ser compartilhada com o paciente”, pontua Rosane. Inicialmente, apenas meninas eram vacinadas, com foco na prevenção do câncer de colo de útero. A estratégia foi ampliada para meninos a partir de 2017. “A mudança se deve ao fato de que a infecção pelo HPV está associada a diversos tipos de câncer que acometem ambos os sexos, como os tumores de reto, cavidade oral e orofaringe, pênis, vulva e vagina. Dessa forma, a proteção é importante para todos”, destaca a ginecologista. Mitos sobre a vacinação contra o HPV A desinformação ainda é uma barreira importante para ampliar a adesão à vacina. Um dos equívocos mais comuns é acreditar que a imunização deve ser restrita aos adolescentes. “Toda a população permanece suscetível ao HPV ao longo da vida, e novos episódios de infecção podem ocorrer mesmo na idade adulta”, reforça. Outro mito recorrente é a ideia de que o HPV não tem cura. “A infecção latente se resolve espontaneamente na maioria dos casos. Apenas uma pequena parcela evolui para persistência e possível desenvolvimento de câncer”, enfatiza Rosane. A falta de informação também afeta os cuidados preventivos. Muitas mulheres acreditam que, ao interromper a vida sexual ou ter apenas um parceiro, não precisam manter o exame preventivo em dia. “A infecção pode ter sido adquirida há muitos anos e permanecer latente. O parceiro também pode ter se infectado em relacionamentos anteriores”, finaliza. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
CAROLINA OLIVEIRA DE ASSIS
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