Foto: CGU
CAFU CÉSAR:
DE DERROTAS EM RIO GRANDE DA SERRA À PRISÃO EM HORTOLÂNDIA A campanha eleitoral de 2024 em Hortolândia trouxe um grande prejuízo político e pessoal para
Carlos Augusto César, o Cafu César, apelido conhecido desde os tempos em que morava em Rio Grande da Serra — onde foi candidato a prefeito em *2004* e *2008*, sendo derrotado nas duas tentativas — Cafu alcançou o cargo de
vice-
prefeito de Hortolândia, mas também ganhou notoriedade negativa.
Acostumado a atuar longe dos holofotes, Cafu aceitou o custo dos desafetos e inimigos, quando se alcança protagonismo político, passando a enfrentar o risco de ser alvo de
delações, denúncias e investigações acumuladas ao longo dos anos.
PODER NAS SOMBRAS E ACÚMULO DE FORTUNA Por mais de uma década, Cafu construiu poder atuando nos
bastidores, ocupando cargos estratégicos e influentes ao lado de políticos eleitos. Sua atuação como intermediador, articulador e lobista o levou a abandonar uma vida simples para acumular uma fortuna considerada
incalculável, devido a suspeitas de uso de *laranjas* para ocultar patrimônio.
A recente operação da
Polícia Federal, que investiga fraudes em licitações da Educação, corrupção, organização criminosa e superfaturamento, revelou parte dessa fortuna.
Segundo a investigação, Cafu gastou mais de
R$ 2 milhões em artigos de luxo. O quebra-cabeça financeiro não foi revelado por movimentações bancárias, mas por um descuido: ao pagar em dinheiro vivo em lojas de grife, deixou registrado o próprio
CPF, detectado após a quebra de sigilo.
*
DELAÇÃO EXPÕE ENVIO DE DINHEIRO DE HORTOLÂNDIA PARA VEREADORES DE RIO GRANDE*
Em agosto de 2022, uma delação registrada em
Ata Notarial expôs como dinheiro saía de Hortolândia para abastecer o sistema de poder de Cafu, com o objetivo de derrubar o então prefeito
Claudinho da Geladeira, em Rio Grande da Serra.
A intenção seria que sua ex-mulher,
Penha Fumagalli, então vice-prefeita, assumisse o cargo e governasse sob sua influência.
O denunciante é
Gabriel Henrique Afonso Campanholi, ex-chefe de gabinete do presidente da Câmara,
Charles Fumagalli — irmão de Penha e ex-cunhado de Cafu. Ele detalhou repasses, remessas mensais e contratos fraudulentos envolvendo empresas supostamente de fachada.
Na época, investiguei os contratos citados, o que resultou em um dossiê entregue ao Gaeco de São Bernardo do Campo, que meses depois deflagrou uma operação atingindo cinco cidades.
TRECHOS DA DELAÇÃO —
CARAVANA DA PROPINA Campagnoli afirmou:
“Hoje tem nove vereadores. Esses nove vereadores recebem cerca de três a quatro mil reais por mês, vindo de Hortolândia, todos os meses.”
Ele também descreveu como funcionava a logística para buscar o dinheiro:
“Desde o começo do ano, no início do mês, perto do quinto dia útil, quando dizem que é ‘o faturamento dos parceiros’, eles vão em dois carros: ou no Creta da Vice-Prefeita, ou no Onix do Presidente da Câmara. Mais recentemente começaram a ir no Kia Soul vermelho.
Quando eles não vão buscar, o pessoal de Hortolândia vem trazer no Civic ou na Land Rover preta, ambos com motorista e o dinheiro numa mala preta no porta-malas.
Sei disso porque já peguei essa mala para entregar ao Presidente da Câmara antes da sessão.”
PRISÃO DE CAFU ABALA A POLÍTICA REGIONAL A prisão de Cafu gerou:
- *alívio* entre adversários,
- *esperança* entre os que afirmam ter sido perseguidos por ele,
- e *temor* entre aliados e operadores políticos que podem ser alcançados pelas investigações.
Nos bastidores, uma pergunta domina as conversas:
*“Com a quebra de sigilo telefônico e telemático, quem de Rio Grande da Serra pode ser envolvido?”*
Outra questão crucial:
*Onde estão os principais operadores da gestão Penha Fumagalli, a ex-vice-prefeita que deixou a cidade e colocou sua casa à venda?*
Alguns nomes que compuseram seu governo aparecem hoje *nomeados em Hortolândia*, o que deve atrair a atenção das próximas fases da investigação.
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MARCIO DE ANDRADE PRADO
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