Pacto Global da ONU – Rede Brasil leva tema da saúde mental para 14º Fórum Mundial sobre Empresas e Direitos Humanos em Genebra
Rede brasileira da maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo também vai debater desafios contemporâneos do multilateralismo, em dois eventos paralelos, nos dias 24 e 26
JACKSON VIAPIANA/ MáQUINA
19/11/2025 17h16 - Atualizado há 2 semanas
Jean-Marc Ferré
Nos últimos anos, a saúde mental e o bem-estar no mundo do trabalho, especialmente entre grupos historicamente vulneráveis, passaram a ocupar o topo da agenda global de direitos humanos. Em um contexto marcado por transformações aceleradas, digitalização crescente e ascensão de novos modelos de trabalho, a necessidade de políticas corporativas que promovam ambientes mais inclusivos, seguros e saudáveis nunca foi tão evidente. É atento a essa prioridade que o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, representação local da maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, levará sua contribuição ao 14º Fórum Mundial sobre Empresas e Direitos Humanos, uma das principais plataformas internacionais para impulsionar a agenda de direitos humanos no mundo. Sob o tema “Acelerar as ações em prol das empresas e dos direitos humanos em meio a crises e transformações”, o Fórum, que é promovido pelo Grupo de Trabalho da ONU para Direitos Humanos e Empresas, ocorre entre os dias 24 e 26 de novembro, em Genebra, na Suíça. A rede brasileira do Pacto Global estará presente no primeiro dia (segunda-feira), das 15h às 17h, no evento paralelo “Saúde Mental e Conectividade: Desafios de Gênero, Raça e Gerações”, que discutirá, por meio de painel e palestras, como a saúde mental se consolidou como dimensão essencial da sustentabilidade empresarial, impactada pela conectividade permanente, transformações digitais, desigualdades sociais persistentes, além da entrada em vigor da atualização da NR1 - Norma Regulamentadora nº 1, promovida pela Portaria MTE nº 1.419/2024, que demanda das empresas a inclusão da avaliação de risco psicossocial em seus Programas de Gerenciamento de Risco (PGR), reconhecendo legalmente a dimensão emocional e relacional do trabalho como parte da segurança ocupacional. O debate abordará o impacto das crises globais econômicas, tecnológicas e climáticas sobre o bem-estar coletivo, e destacará como desigualdades de gênero, raça e geração estruturam vulnerabilidades específicas no ambiente de trabalho. Também será tratado, na ocasião, como as empresas podem implementar políticas de cuidado, equilíbrio e resiliência organizacional. Outro tópico de discussão serão as mudanças geracionais no ambiente corporativo. A juventude, em especial, será tratada como um eixo crítico, considerando que jovens em início de carreira enfrentam maiores riscos de precarização, insegurança econômica e pressões adicionais relacionadas à conectividade contínua, fatores que impactam diretamente suas perspectivas profissionais e emocionais. Dentre os participantes, estarão Monica Gregori, Diretora de Impacto do Pacto Global da ONU - Rede Brasil e Aiysha Malik, especialista em Saúde Mental da Organização Mundial da Saúde (OMS). Também participam representantes do Ministério de Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) e executivos do Banco do Brasil, Petrobras e Rumo Logística. Um dos destaques da participação do Pacto Global da ONU – Rede Brasil no Fórum de Genebra será o lançamento do Guia intitulado”Saúde Mental e Futuro do Trabalho: Diretrizes práticas de gestão de riscos psicossociais como motor de mudanças”” documento inédito que traz um estudo amplo sobre o quadro atual da saúde mental dentro das empresas e tendências para o futuro do trabalho, além de compartilhar boas práticas. Para Mônica Gregori, Diretora de Impacto do Pacto Global ONU - Rede Brasil, a publicação chega em um momento decisivo para o setor privado: “Cada vez mais, as empresas entendem que saúde mental é um tema estratégico de direitos humanos e uma dimensão fundamental da sustentabilidade corporativa. Nosso guia oferece caminhos concretos para transformar cultura, fortalecer governança e reduzir desigualdades estruturais que impactam de forma desproporcional determinados grupos. É uma contribuição necessária para construir ambientes mais seguros, saudáveis e preparados para o futuro do trabalho.” Multilateralismo e direitos humanos O Pacto Global da ONU – Rede Brasil também irá participar do evento paralelo “Multilateralismo como agenda global de direitos humanos”, no dia 26 (quarta-feira), das 9h às 12h, em que, também por meio de painéis e palestras, discutirá como transformações econômicas, ambientais e políticas impõem a necessidade de renovar sistemas de governança global, além de destacar o papel estratégico da agenda de direitos humanos na construção de respostas coletivas e sustentáveis. Dessa forma, o debate analisará o papel do setor privado diante da mudança do sistema multilateral de comércio, com o surgimento de novas barreiras tarifárias, políticas comerciais, mecanismos de ajuste de carbono e mudanças nas cadeias globais de valor, ressaltando como práticas de devida diligência, salário digno, acesso à reparação e segurança no trabalho se tornam fundamentais para mitigar desigualdades, proteger comunidades vulneráveis e promover os direitos humanos. Neste dia, será realizado o painel “Comércio, Transição Justa e Direitos Humanos: O Papel das Empresas na Nova Geopolítica das Tarifas”, com nomes como Barbara Ramos, Chefe de Pesquisa e Estratégias para Exportações, Centro de Comércio Internacional (ITC/OMC) e Surya Deva, Relator Especial no Right to Development. Também participam executivos da Suzano, Petrobras, Itaú, Live e Malwee. Para Gabriela Almeida,Gerente Executiva de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, o fortalecimento do multilateralismo é indispensável nesse estágio de globalização avançada: “Em um cenário mundial marcado por tensões geopolíticas, o compromisso com o multilateralismo é essencial para garantir que princípios de direitos humanos permaneçam no centro das decisões estratégicas e dos fluxos econômicos internacionais.” A executiva lembra que o Fórum de Genebra é um espaço estratégico de diálogo multissetorial, e, nesse sentido, a participação da rede brasileira do Pacto Global da ONU reforça o compromisso do setor privado nacional com soluções sólidas para os desafios contemporâneos do trabalho. “Ao levar para Genebra o debate sobre saúde mental, conectividade, diversidade e multilateralismo, reforçamos o papel das organizações empresariais como agentes essenciais na promoção de trabalho decente, respeito aos direitos humanos e construção de sociedades mais justas, resilientes, inclusivas e saudáveis”, conclui. Os eventos paralelos realizados pelo Pacto Global da ONU - Rede Brasil durante o Fórum Mundial de Empresas e Direitos Humanos, em Genebra, contam com o patrocínio da Petrobras e do Governo Federal. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
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