Rotina de treinos, preparo físico e evolução técnica costumam ocupar grande parte da vida de esportistas, tanto dos profissionais quanto dos que ainda estão em categorias de formação. No entanto, há outro elemento igualmente relevante e que se destaca em diversas modalidades: o papel da liderança.
Segundo Leonardo Muller dos Santos, que já atuou como assistente técnico no futebol universitário dos Estados Unidos, existe uma distinção clara entre liderar com foco apenas na parte técnica e liderar a partir de uma perspectiva humana. A primeira envolve aspectos táticos, metodológicos e de desempenho. Já a segunda busca compreender o atleta como pessoa, levando em conta suas emoções, medos e motivações.
Ele reforça que a união entre esses dois tipos de liderança potencializa o resultado final. Com mestrado em Ethical Leadership (Liderança Ética) pela St. Thomas University, em Miami, Leonardo destaca que compreender o propósito das ações impacta diretamente no engajamento dos jogadores.
Santos também enfatiza que comunicação e escuta ativa são pilares para construir um ambiente de confiança. Para ele, uma comunicação realmente eficaz só existe quando o líder se dispõe a ouvir antes de responder.
No contexto esportivo, onde a pressão faz parte do cotidiano, é essencial que o atleta perceba abertura para se expressar e para ser compreendido. A escuta ativa possibilita oferecer orientações mais assertivas, fortalecer vínculos e criar um clima no qual o indivíduo se reconhece como parte do processo — e não apenas como alguém que executa instruções.
Leonardo lembra ainda que muitos atletas iniciam suas carreiras longe do convívio familiar, o que costuma gerar desafios emocionais significativos. Ele afirma que esses jovens passam por um período de adaptação que exige atenção não apenas no âmbito esportivo, mas também no pessoal e comportamental.
Nesse cenário, Santos assume uma função que ultrapassa o campo técnico. Ele se torna uma figura de suporte, capaz de oferecer equilíbrio e segurança. Para Leonardo, encontrar o ponto ideal entre firmeza e empatia é essencial para o crescimento integral do atleta.
Seguindo essa filosofia, Santos afirma que prefere orientar a controlar. Isso significa estabelecer metas claras, mas permitir que cada jogador expresse sua individualidade durante a tomada de decisões. Entre 2019 e 2021, enquanto atuava na Oklahoma Wesleyan University, ele implementou um sistema de acompanhamento individualizado que ajudou diversos atletas a ingressarem em equipes profissionais, oferecendo a eles maior clareza e autonomia sobre suas próprias trajetórias.
Leonardo defende que a verdadeira liderança forma pessoas antes de formar atletas, reforçando que valores humanos caminham lado a lado com a excelência esportiva. Ele acredita que princípios como disciplina, humildade e empatia se tornam parte da identidade do atleta e o acompanham por toda a vida.
Outro ponto destacado por Leonardo é o papel transformador do esporte. Ele cita um estudo da Universidade do Sul da Austrália, divulgado pela Revista Crescer, mostrando que crianças engajadas em atividades esportivas extracurriculares tendem a apresentar maior bem-estar, otimismo e satisfação.
Para ele, o trabalho do líder esportivo vai além de resultados imediatos: trata-se de contribuir diariamente para o desenvolvimento humano dos atletas. Essa visão, segundo Santos, está cada vez mais presente no alto rendimento, onde o bem-estar e a formação integral ganham espaço ao lado da performance técnica. Sua atuação no esporte universitário norte-americano refletiu essa tendência e ajudou a fortalecer um novo modelo de formação de atletas.
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LETÍCIA VICTÓRIA DA SILVA PEREIRA
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