Cães de serviço antecipam crises e salvam vidas de pessoas com diabetes

EDUARDO MICHELETTO
13/11/2025 11h51 - Atualizado há 3 semanas

Cães de serviço antecipam crises e salvam vidas de pessoas com diabetes
Divulgação

No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas vivem com diabetes, segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes. O controle da glicemia é um desafio diário que exige disciplina, medicação e atenção constante. Mas uma ferramenta assistiva tem ganhado espaço e pode salvar vidas: os cães de alerta médico, treinados para identificar crises de hipoglicemia (queda de açúcar no sangue) e hiperglicemia (excesso de açúcar) antes mesmo dos sensores eletrônicos.

O adestrador Glauco Lima é um dos pioneiros nessa técnica no país. Após estudar com especialistas nos Estados Unidos, ele introduziu no Brasil o treinamento de cães de serviço para alerta médico e assistência, especialmente voltados para pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2.

Glauco já treinou quatro cães com essa finalidade. Um deles foi preparado especialmente para sua mãe, Maria Anunciada Lima, de 72 anos, diagnosticada com diabetes tipo 2. A senhora, que tinha dificuldades em manter a dieta e a rotina de exercícios, passou a sofrer picos de hiperglicemia que exigiam aplicações constantes de insulina.

Para garantir a segurança da mãe, Glauco treinou Guria, uma cadela da raça Australian Cattle Dog. O animal foi condicionado a identificar variações nos níveis de glicose por meio do odor corporal. “Quando a Guria late, é sinal de que minha mãe está em hiperglicemia, e é preciso aplicar insulina. Já quando ela sente a liberação de corpos cetônicos, que indicam hipoglicemia, ela avisa batendo a pata”, explica o adestrador.

O processo de treinamento é longo e detalhado, leva cerca de dois anos e é dividido em 30 fases, que vão desde a escolha do filhote, socialização e obediência básica até o treinamento avançado de alerta médico.

Além de oferecer segurança a adultos e idosos, o cão de alerta é um aliado essencial para famílias com crianças com diabetes tipo 1, que correm riscos em situações cotidianas como dormir, brincar ou frequentar a escola. “Esses cães são uma ferramenta assistiva poderosa, que complementa os sensores eletrônicos de glicose”, reforça Glauco.

Apesar do potencial, a realidade brasileira ainda apresenta desafios. “Não há leis ou projetos voltados à formação e certificação de cães de alerta médico. Falta informação e incentivo público”, lamenta o adestrador. Ele sugere que escolas de formação da Guarda Municipal incluam cursos de cinotecnia — ciência do treinamento canino — e aproveitem cães de abrigos municipais, oferecendo reabilitação e formação inicial antes de direcioná-los a pessoas com diabetes.

O Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro, marca o nascimento de Sir Frederick Banting, um dos descobridores da insulina. A data é uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre a doença e divulgar iniciativas como a de Glauco.

A causa também ganhou apoio internacional. A empresa portuguesa Plutos Chews, fabricante de petiscos naturais, destina parte das vendas ao treinamento de cães de alerta médico. Glauco Lima atua como embaixador da causa social no Brasil, ao lado de Mariana Ruic, que também vive com diabetes tipo 1, e da cadela Granola, uma Golden Retriever, com o apoio da marca Box Natura Pet.

“Esses cães são muito mais do que companheiros: são guardiões de vidas”, conclui Glauco.


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EDUARDO GIOELI MICHELETTO JOEL
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FONTE: Micheletto Comunicação
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