Inadimplência afeta 8% da população rural brasileira no segundo trimestre do ano, revela Serasa Experian

Comparação anual marca alta embora relação trimestral mostre cenário estável

VIVIANE GARCIA
12/11/2025 18h23 - Atualizado há 3 semanas

Inadimplência afeta 8% da população rural brasileira no segundo trimestre do ano, revela Serasa Experian
Divulgação
Novos dados inéditos da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, revelam o cenário de inadimplência do agronegócio no segundo trimestre de 2025. De acordo com o índice, 8,1% da população rural estava inadimplente no período. Houve uma leve alta de 0,3 ponto percentual, que pode ser considerada como viés de alta na avaliação trimestral. Frente ao mesmo período do ano anterior, o crescimento foi de 1,1 ponto percentual.

“Os indicadores apontam uma piora lenta, porém contínua, na capacidade da população rural de manter-se adimplente. O agronegócio enfrenta desafios de fluxo de caixa e endividamento acumulados nos últimos 3 a 4 anos, exigindo atenção e reestruturação. O acompanhamento constante do perfil de crédito é essencial para evitar que produtores se alavanquem além da capacidade operacional, considerando seus perfis de risco. Fatores como custo de produção elevado, variação nos preços das commodities e crédito mais caro explicam esse cenário, reforçando a importância da gestão de risco apoiada por dados e inteligência analítica.” comenta Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.


Produtores sem registro de cadastro rural são maioria entre inadimplentes

Na avaliação por porte a datatech mostrou que aqueles que atuam “Sem Registro de Cadastro Rural”, ou seja, arrendatários ou participantes de grupos econômicos/familiares, representam a maior fatia de inadimplentes, com 10,5%. Em sequência estão os grandes proprietários, que significam 9,2% do total. “Produtores que precisam arrendar terras, por exemplo, costumam lidar com margens mais apertadas pelo custo extra. E, sobre os grandes produtores, o maior apetite ao risco pode gerar desequilíbrio”, explica o head de agronegócio da datatech.  Médios proprietários têm participação de 7,8% e os pequenos, de 7,6%. 

Concessões advindas diretamente do setor agro têm inadimplência quase zero

Considerando a inadimplência nos setores de endividamento da população rural – credores em que contraíram suas dívidas – o levantamento mostrou que as “Instituições Financeiras”, que financiam atividades no campo, possuem a maior representatividade, de 7,2%. Apesar disso, a fatia de produtores rurais inadimplentes no “Setor Agro” e em “Outros Setores Relacionados” é pouco expressiva, de 0,3% e 0,1%, respectivamente. Ambas as categorias representam produtos e serviços, como agroindústrias de transformação e comércio atacadista agro, serviços de apoio ao agro, produção e revendas de insumos e de máquinas agrícolas, produtores rurais, seguradoras não-vida, transportes e armazenamentos.

“Nesse sentido a cadeia agro tem um cenário positivo sobre a inadimplência. É importante reforçar esse recorte, pois se no geral 8,1% dos produtores estão inadimplentes, nessa visão, o percentual é muito menor”, finaliza Marcelo Pimenta.

AgroScore: ferramenta preditiva pode reduzir endividamento no campo 

A análise do Agro Score, solução da Serasa Experian, mostra uma variação na média de pontuação dos produtores rurais — de 644 para 605 pontos entre o segundo trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025. O movimento, observado em todas as faixas de produtores, reflete um cenário mais cauteloso no campo, reforçando a importância de ferramentas de dados e inteligência para apoiar decisões de crédito mais seguras e sustentáveis.

De acordo com o head de agronegócio da datatech, “a análise de dados é essencial para compreender o comportamento financeiro do produtor rural e mitigar riscos em toda a cadeia agro. Com isso, desenvolvemos o AgroScore, com informações específicas sobre o setor, para possibilitar avaliações precisas do perfil de crédito dos demandantes, auxiliando o mercado a tomar decisões mais equilibradas e, assim, reduzir o risco de endividamento”.

Boletim Agro Serasa Experian, o raio-x econômico do setor, terá nova edição em dezembro

A nova edição do Boletim Agro, desenvolvido pela datatech, Serasa Experian, estará disponível em dezembro deste ano e vai revelar dados inéditos sobre o segundo trimestre de 2025. O material vai detalhar o cenário econômico-financeiro do agro brasileiro, com categorias específicas para o consumo de crédito rural, AgroScore, inadimplência, recuperação judicial e mais.

O relatório traz informações gerais e segmentadas em porte, linha de crédito, tempo de dívida, regiões agrícolas e Estados do país para ampliar análises do setor com o mercado de crédito brasileiro. “Essa iniciativa reforça nosso propósito de democratizar o acesso à informação sobre o setor, disseminando conhecimento e fortalecendo o embasamento crítico para a tomada de decisão. Esse conteúdo funciona como um verdadeiro raio-x financeiro do agro no país”, finaliza o head de agro da Serasa Experian.

Metodologia

Para o Indicador de Inadimplência do Agronegócio da Serasa Experian foram consideradas apenas dívidas vencidas com mais de 180 dias e até 5 anos somando pelo menos R$ 1.000,00 dentre aquelas que estão relacionadas ao financiamento e atividades agronegócio, nas seguintes categorias:

•    Instituições financeiras: bancos, fundos de investimentos, cooperativas de crédito entre outras descritas como "atividades de serviços financeiros" pelo IBGE.
•    Setores Agro: agroindústria de transformação e comércio atacadista agro, serviços de apoio ao agro, produção e revendas de insumos e de máquinas agrícolas, produtores rurais etc.
•    Outros Setores: seguradoras não-vida, transporte de carga, armazenamento, utilities, varejo, telecomunicações etc.

O percentual de inadimplência é calculado sobre 10,5 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural, resultantes de 1) registros de propriedades rurais no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou no Cadastro Federal de Imóveis Rurais (CAFIR), 2) tiveram financiamentos rurais ou agroindustriais no Cadastro Positivo no último ano, ou 3) possuem registro de atividade de produtor rural no Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços (SINTEGRA). 

Ao atualizar esse mapeamento da população rural, como foi realizado agora, refazem-se todas as estatísticas históricas com base no novo mapeamento populacional, portanto os resultados apresentados não são comparáveis com os das divulgações passadas. 

Nesta última atualização, passou-se a utilizar pessoas físicas provindas do CAR apenas com relação à classificação de Imóvel Rural, pois financiamentos rurais para produtores com este tipo de propriedade seguem normas padronizadas do crédito rural, com foco na viabilidade econômica e regularidade ambiental. Deixou-se de contabilizar as pessoas que estavam listadas apenas em imóveis classificados como Assentamentos ou como Povos e Comunidades Tradicionais, pois estes possuem regulamentações específicas que consideram direitos coletivos, aspectos culturais e socioambientais, exigindo análises mais complexas e integradas.
 

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VIVIANE NEVES GARCIA TORRE
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FONTE: Serasa Experian
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