O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado neste domingo (9), trouxe uma prova marcada pela atualidade dos temas e pela integração entre áreas, consolidando o caráter reflexivo, interdisciplinar e social do exame. As provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Redação destacaram discussões sobre sustentabilidade, diversidade cultural, religião, ética e envelhecimento populacional, mantendo o perfil de uma avaliação que convida o estudante a interpretar o mundo contemporâneo de forma crítica. Segundo especialistas do SAS Educação, o Enem 2025 equilibrou conteúdos clássicos e temas atuais, reforçando o compromisso do exame com a reflexão crítica e a leitura da realidade.
O tema da redação deste ano — “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira” — convidou os participantes a refletirem sobre como o país se organiza diante do aumento da longevidade e dos desafios sociais e econômicos que acompanham essa transformação. Os seis textos motivadores apresentavam diferentes perspectivas sobre o envelhecer no Brasil. Entre eles, uma imagem atualizada da placa “60+” — que substituía a bengala por uma figura ereta — e uma pirâmide etária ilustravam a mudança no perfil populacional do país. Outros textos-base abordavam as dificuldades de envelhecer sendo uma pessoa preta no Brasil e o papel econômico dos idosos, destacando que muitos sustentam financeiramente suas famílias. O conjunto se completava com um trecho de Clarice Lispector, em que uma personagem idosa é retratada de forma simbólica, quase decorativa, e com reflexões de Rita Lee e Fernanda Montenegro sobre autonomia e aceitação da velhice.
Segundo Vinícius Beltrão, gerente de Ensino e Inovações educacionais no SAS Educação, “Os textos apresentaram olhares complementares e até contrastantes, o que enriqueceu o debate. Parte deles mostrava o idoso ativo e inserido na sociedade, outra parte, uma visão ainda estigmatizada. Essa diversidade de abordagens exigiu do aluno uma análise crítica e empática”. A redação exigiu que os participantes da prova refletissem sobre temas como a transição demográfica acelerada, a inclusão digital e o combate ao idadismo, além da importância de ações intersetoriais, requalificação profissional para o público 60+ e campanhas de conscientização nacional.
A prova de Linguagens apresentou um formato não usual, com um texto longo acompanhados de múltiplas questões, o que exigiu maior capacidade de concentração e análise dos candidatos. O texto “De próprio punho”, publicado na Revista Rascunho, que trata da transformação digital da escrita e do impacto da tecnologia sobre a comunicação e a caligrafia, foi base para cinco questões.
Outras questões abordaram temas como variação linguística, representações culturais e artísticas e reflexões sobre a linguagem como forma de identidade. Uma crônica de Luís Fernando Veríssimo explorou aspectos de coesão e progressão temática, enquanto o tema indígena apareceu tanto nas questões de Português, destacando o papel das lideranças indígenas na sociedade brasileira a partir do texto sobre a primeira cacique mulher do Ceará, quanto nas de Espanhol, em uma reflexão sobre diversidade linguística e cultural nas Américas.
De acordo com Isabela Araújo, editora de linguagens no SAS Educação, “a prova apresentou uma conexão muito coerente entre as áreas, com questões que valorizam o pensamento crítico, a leitura atenta e a compreensão da linguagem como reflexo das transformações sociais e culturais.”
A prova de Linguagens também trouxe discussões contemporâneas sobre representatividade e corpo. Um dos temas foi o padrão de beleza imposto às mulheres, exemplificado por uma questão que citava Margot Robbie (no filme Barbie) e Paolla Oliveira para refletir sobre as pressões estéticas na sociedade. O tema do esporte reapareceu com destaque — foram identificadas pelo menos cinco questões que trataram da representatividade feminina e racial e da inclusão de pessoas com deficiência, citando atletas como Rebeca Andrade e Rayssa Leal. “O esporte apareceu de forma social e inclusiva, relacionando-se a pautas de diversidade e superação, o que mostra a maturidade social do exame”, explica Vinícius Beltrão.
Ainda em Linguagens, o eixo de literatura manteve equilíbrio entre o clássico e o contemporâneo, revisitando o Romantismo e o Simbolismo — com textos de Visconde de Taunay e Gilka Machado — e explorando autores modernos em crônicas reflexivas que discutiam ética, identidade e cotidiano. Questões sobre variações linguísticas regionais, como os diferentes nomes de pratos típicos, também reforçaram o olhar sobre a pluralidade cultural brasileira.
As línguas estrangeiras seguiram a mesma linha interpretativa: em Inglês, apareceram textos sobre a “geração snowflake”, discutindo sensibilidade e resiliência, enquanto em Espanhol, a “geração das telas” foi abordada sob a ótica da comunicação digital. A prova de Espanhol também trouxe a única charge de toda a prova, recurso pouco comum no Enem, que ampliou o debate sobre diversidade linguística e herança cultural das Américas.
A prova de Ciências Humanas apresentou forte protagonismo da Geografia, com foco em atualidades ambientais, que aparecem de forma recorrente nas edições do Enem e reafirmam a atenção do exame às questões sociais e ambientais do presente. Em um ano marcado pela realização da COP, os candidatos encontraram questões sobre transição energética, eficiência e sustentabilidade urbana, explorando o crescimento das matrizes solar, eólica e térmica e o uso de energia geotérmica. Outras perguntas discutiram carros elétricos e contradições da economia verde, além de queimadas no Cerrado, imagens de satélite sobre incêndios no Brasil e na África, e fenômenos como o rebaixamento do Rio Reno e o desmoronamento de solo na Flórida.
Segundo Pedro Lopes, supervisor de avaliações do SAS Educação, “Como de costume, a prova trouxe um olhar global e atualizado sobre o meio ambiente, articulando Geografia e atualidades de forma crítica. Foi uma abordagem moderna, que exigiu do estudante compreender como o espaço geográfico e as ações humanas se transformam mutuamente.”
Outros eixos ganharam destaque, como a religião, abordada por meio de textos que reuniam trechos da Bíblia e do Alcorão para discutir o valor do trabalho e a dignidade humana, além de questões sobre religiões afro-brasileiras e cristãs, e o papel histórico da “roda dos expostos” de Salvador. A temática agrária, tradicional no Enem, também apareceu em perguntas sobre uso de defensivos agrícolas, exportações brasileiras e função social da terra, promovendo o diálogo entre Geografia e Sociologia.
Ainda em linguagens, na área de filosofia, a prova destacou autores como Aristóteles, Platão, Heráclito, Rumi, Bentham e Derrida, com textos de Marilena Chaui e Clarice Lispector, além da música “Sinal Fechado”, de Paulinho da Viola, que trouxe reflexões sobre ética e relações sociais.
Para os especialistas do SAS Educação, o conjunto das provas do Enem 2025 reafirma o compromisso do exame com a avaliação integral de competências e o estímulo ao pensamento crítico. O equilíbrio entre conteúdos clássicos e temas contemporâneos — como sustentabilidade, envelhecimento e diversidade — confirma a tendência de um Enem que dialoga com a realidade social e ambiental do país.
“No geral, foi uma prova que exigiu sensibilidade, leitura de mundo e capacidade de análise. O aluno que conseguiu fazer conexões entre as áreas certamente teve um bom desempenho”, conclui Ademar Celedônio, Diretor de Ensino e Inovações do SAS Educação. A jornada continua no próximo domingo, 16, quando os candidatos encaram o segundo dia de aplicação, com as provas de Ciências da Natureza e Matemática, que completam o ciclo de avaliações deste ano.
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Caroline Pellegrino de Oliveira
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