Hipertensão: novos parâmetros reforçam a importância do controle precoce

Cardiologista do Hospital São José alerta para nova classificação que redefine o valor de referência da pressão arterial para abaixo de 12 por 8

Por BERNARDO BRUNO
4 Min

Hipertensão: novos parâmetros reforçam a importância do controle precoce
Reprodução

Em setembro, as diretrizes para a hipertensão foram atualizadas e passaram a classificar a pressão arterial de 12 por 8, antes considerada normal, como pré-hipertensão. As novas recomendações refletem não só estudos globais, mas também dados da realidade epidemiológica do país, com muitos casos de hipertensão e mortes provocadas por doenças cardíacas.

“A principal mudança foi a ênfase no controle mais intenso da pressão arterial, buscando valores inferiores a 120/80 mmHg. Essa atualização foi motivada por evidências robustas de que níveis mais baixos de pressão arterial reduzem significativamente o risco de eventos cardiovasculares, como infartos e AVC, permitindo intervenções mais precoces e eficazes”, explica a cardiologista do Hospital São José, Dra. Tatiana Menacho Colombo.

Valores entre 12 e 13,9 por 8 e 8,9 passam a indicar pré-hipertensão, e a partir de 14 por 9, o paciente já é considerado hipertenso. Com os novos parâmetros, mais pessoas poderão ser diagnosticadas precocemente com hipertensão, o que, segundo a especialista, é uma oportunidade para mudar hábitos e evitar danos futuros. “Os pacientes identificados nessa faixa de risco serão mais conscientizados e orientados sobre os malefícios de manter a pressão arterial acima do ideal, favorecendo mudanças de estilo de vida e adesão ao acompanhamento médico mais frequente”, afirma a cardiologista.

As medidas de prevenção incluem manter o peso corporal adequado, adotar uma alimentação com menos sódio e mais alimentos naturais ricos em potássio, praticar atividade física regular, moderar o consumo de álcool, parar de fumar, dormir bem e controlar o estresse.

No entanto, mesmo com o tratamento, alguns pacientes podem se ver com a pressão arterial inalterada, ou seja, ainda alta. É o caso da hipertensão resistente ou refratária. No entanto, esse diagnóstico, segundo a Dra. Tatiana, deve ser feito com cuidado: “A persistência de valores elevados de pressão arterial pode ter causas multifatoriais, devendo-se avaliar individualmente cada caso. É essencial analisar fatores comportamentais, adesão ao tratamento e investigar causas secundárias de hipertensão antes de classificar um quadro como hipertensão resistente ou refratária. Também é importante diferenciar pseudo-resistência, como erros de medida ou baixa adesão, da verdadeira resistência”, recomenda.

Atualmente, considera-se hipertensão resistente quando a pressão permanece igual ou superior a 13 por 8 mesmo com o uso de três a quatro medicamentos. Já a hipertensão refratária é aquela que se mantém elevada apesar do uso de cinco ou mais remédios. Para confirmar o diagnóstico, exames de monitorização ambulatorial ou residencial da pressão são fundamentais. O tratamento costuma envolver a combinação de medicamentos específicos e o reforço das mudanças de estilo de vida.

“O primeiro passo para prevenir e tratar o aumento da pressão é realizar um diagnóstico preciso para oferecer um tratamento adequado. Com isso, ganha-se tempo para evitar complicações cardiovasculares e melhorar a qualidade e a expectativa de vida”, conclui a cardiologista do Hospital São José.


 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
BERNARDO DE QUADROS BRUNO
[email protected]


Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://itaqueraemnoticias.com.br/.