Florianópolis recebeu a primeira edição do FLACA – Festival Latino-Americano de Cinema Ambiental nos meses de outubro e novembro, um evento inédito no Brasil dedicado exclusivamente à produção audiovisual socioambiental da América Latina. Com uma programação inteiramente gratuita, o festival apresentou obras que dialogam com as urgências ambientais do continente e promoveu debates com realizadores, ativistas e pesquisadores da área.
Durante seis dias, o FLACA exibiu 10 produções de sete países latino-americanos — entre curtas, médias e longas-metragens de diversos gêneros, distribuídas em nove sessões que fortaleceram o diálogo audiovisual latino-americano e valorizaram as narrativas que exploram a relação entre seres humanos, natureza e território.
Mais de 850 pessoas participaram das atividades presenciais, consolidando o evento como um novo ponto de encontro entre cinema, pensamento crítico e engajamento comunitário. De acordo com os produtores do Festival, o cinema ambiental latino-americano tem se destacado como uma poderosa ferramenta de reflexão e resistência. Ao abordar as lutas dos povos originários, as transformações climáticas e os desafios sociais do continente, o cinema amplia a consciência ecológica e estimula o engajamento coletivo.
Um dos destaques do Festival foi a exibição do filme La Raíz del Olivo, coprodução entre Cuba e Palestina que retrata a trajetória de cinco palestinos que vivem no exílio e refletem sobre suas experiências diante da contínua ocupação israelense, que se estende há mais de 76 anos.
De acordo com o diretor artístico do Festival, Flavio Veloso, os debates foram altamente inspiradores: “Os relatos do Cledison Baré e da Daneille Munduruku foram os pontos altos, cada um com a sua perspectiva. Ele falou sobre a importância de escutarmos mais os indígenas ao invés de interpretá-los. Respeitarmos suas tradições, seus sagrados e o que ele chamou de narrativas históricas. Abriu a cabeça da gente com o conceito de narrativas históricas para o que chamamos popularmente de mitos e lendas indígenas. A Danielle Munduruku compôs a mesa junto com a Ingrid Sateré-Mawé, que se emocionou ao longo do debate. A Ingrid deu muita ênfase na importância de se avançar na luta em virtude da COP30 que se aproxima, enquanto a Danielle falou sobre a importância desses espaços de debate como o FLACA e da união de brancos e não brancos em diferentes frentes de trabalho”, destacou.
Para os idealizadores, o balanço dos seis dias de festival foi muito positivo e simbolizou a importância do acesso democrático ao cinema, permitindo que comunidades, escolas e espaços públicos se tornassem também locais de encontro, pertencimento e aprendizado. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
EDIANE BARBOSA OLIVEIRA
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