Meta, deepfakes e falsas mentorias: o impacto bilionário das fraudes digitais nas redes sociais
Segundo os relatórios, a companhia teria faturado cerca de US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios de golpes e produtos ilegais
FERREIRA ANTUNES
07/11/2025 10h16 - Atualizado há 1 mês
Divulgação
Uma série de documentos internos revelados recentemente pela agência Reuters expôs a dimensão das fraudes publicitárias nas plataformas da Meta, empresa responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp. Segundo os relatórios, a companhia teria faturado cerca de US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios de golpes e produtos ilegais, o que representa aproximadamente 10% de toda a sua receita anual. Os arquivos mostram que, em média, a Meta exibe todos os dias até 15 bilhões de anúncios com indícios de fraude, incluindo falsas promessas de investimento, produtos proibidos e campanhas de supostas mentorias financeiras que escondem esquemas fraudulentos. O problema é agravado pelo uso crescente de inteligência artificial e deepfakes, que permitem criar perfis, rostos e vozes totalmente falsos para enganar o público. Esses conteúdos atingem milhões de usuários diariamente, utilizando os próprios mecanismos de segmentação das redes para alcançar perfis específicos, como profissionais liberais, pequenos investidores e aposentados, com anúncios que simulam autoridade e confiabilidade. Em muitos casos, criminosos se passam por professores ou mentores de finanças, oferecendo cursos, consultorias ou investimentos que simplesmente não existem. Para o advogado Jorge Calazans, que representa vítimas de fraudes financeiras, como golpes de falsa mentoria, esse cenário revela um modelo de negócio que precisa ser revisto com urgência. “Quando uma empresa gera bilhões de dólares de receita com anúncios que apresentam claros sinais de fraude, há uma corresponsabilidade. O problema não está apenas nos criminosos, mas também na falta de filtros e respostas adequadas das próprias plataformas”, afirma Calazans. Segundo os documentos citados pela Reuters, um terço dos golpes bem-sucedidos nos Estados Unidos envolve as plataformas da Meta, e, mesmo com o conhecimento interno sobre o problema, a empresa reconheceu que multas regulatórias futuras seriam muito menores que o lucro obtido com esse tipo de publicidade. Calazans alerta que as falsas mentorias e os golpes com uso de inteligência artificial representam uma nova geração de crimes digitais, com alto poder de convencimento e enorme impacto social. “Esses golpes exploram a confiança das pessoas, utilizando tecnologia para dar aparência de credibilidade a algo que não existe. O prejuízo não é apenas financeiro, é emocional e social. Por isso, a responsabilidade das plataformas precisa ser enfrentada de forma séria e transparente”, explica. O combate a esse tipo de prática exige regulação, transparência e compromisso real das grandes empresas de tecnologia, que não podem mais se limitar a agir apenas quando pressionadas por sanções. Enquanto o lucro continuar acima da segurança, as redes sociais seguirão sendo palco de uma das maiores indústrias de fraudes da era digital. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
CAIO FERREIRA PRATES
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