O deslocamento diário para o trabalho revela muito sobre a infraestrutura urbana no país. Além disso, fatores como distância do trabalho, região, nível de escolaridade e etnia também influenciam no meio utilizado para o transporte.
Nesse sentido, o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que 18% dos trabalhadores brasileiros vão para o trabalho a pé, representando cerca de 11,9 milhões de pessoas.
Segundo o instituto, 88,4% das pessoas ocupadas no Brasil trabalham no mesmo município em que vivem, e a maior parte desse grupo exerce suas atividades fora de casa. Além disso, o automóvel se mantém como o principal meio de locomoção, utilizado por 32,3% das pessoas, seguido pelo ônibus (21,4%) e pela caminhada (17,8%).
As preferências de transporte variam entre regiões e grupos sociais. No Norte e no Nordeste, as motocicletas ganham destaque, sendo usadas por 28% e 26% dos trabalhadores, respectivamente. Já nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o automóvel é predominante.
A pesquisa também evidencia que o nível de instrução influencia na escolha do transporte. Quanto maior o grau de escolaridade, maior o uso de automóveis, trens, metrôs ou táxis. Em contrapartida, o deslocamento a pé e de bicicleta é mais comum entre pessoas com menor nível de escolaridade.
O fator cor ou raça também revela desigualdades. Entre as pessoas brancas, o automóvel é o principal meio de transporte. Entre os pardos, há equilíbrio entre carro e ônibus, enquanto entre os pretos o ônibus é o mais utilizado. Já entre os indígenas, o deslocamento a pé é predominante.
Ainda de acordo com o IBGE, mais da metade dos trabalhadores leva até 30 minutos para chegar ao trabalho. A maior parcela, 31%, faz o percurso entre 15 e 30 minutos, enquanto 26% gastam de 6 a 15 minutos e 10% chegam ao local de trabalho em até cinco minutos.
Para trajetos mais longos, o estudo indica que 20% das pessoas levam entre meia hora e uma hora para se deslocar, enquanto 10% gastam de uma a duas horas. Por fim, apenas 1% dos trabalhadores leva de duas a quatro horas, e menos de 0,5% enfrenta trajetos superiores a quatro horas diárias.
Embora o automóvel seja o meio mais utilizado, nem todos os brasileiros têm acesso a um veículo próprio. Segundo o IBGE, cerca de 22,6 milhões de pessoas utilizam o carro para ir ao trabalho, número expressivo, mas ainda distante do total de trabalhadores.
Nesse cenário, surgem alternativas para quem busca mobilidade sem precisar adquirir um automóvel. Além do transporte público e das caronas, há opções como o carro por assinatura, modelo em que o motorista paga um valor fixo mensal pelo uso do veículo, sem precisar comprá-lo.
Essa modalidade pode ganhar espaço especialmente entre quem busca flexibilidade e não deseja arcar com custos de manutenção e documentação.
O levantamento do IBGE destaca que o planejamento urbano é essencial para melhorar a qualidade de vida da população trabalhadora. Com milhões de pessoas caminhando diariamente até o trabalho ou dependendo de ônibus, os dados reforçam a necessidade de políticas que integrem transporte coletivo, segurança viária e incentivo à mobilidade ativa.
O cenário traçado pelo Censo 2022 mostra que a forma como os brasileiros se deslocam reflete não apenas suas condições socioeconômicas, mas também o desenho das cidades e o acesso desigual às opções de transporte. Enquanto muitos seguem a pé por necessidade ou proximidade, outros enfrentam longas horas no trânsito.
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ANDRE LUCIO ELOI DE SOUZA FILHO
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