Janaina Leite volta aos palcos com os espetáculos Stabat Mater, História do Olho e Deeper
A atriz, diretora e dramaturga reúne as suas mais recentes obras na mostra (ob)Cenas Contemporâneas
NOSSA SENHORA DA PAUTA ASSESSORIA DE COMUNICAçãO
31/03/2025 16h57 - Atualizado há 2 dias
Crédito André Cherri
Referência na cena brasileira para a pesquisa dos “teatros do real”, que aproxima teatro e performance, arte e vida e teatro e pornografia, fronteiras difusas entre práticas artísticas e práticas socioculturais, a atriz, diretora e dramaturga Janaina Leite apresenta, de 3 de abril a 1º de junho, o projeto (OB)CENAS CONTEMPORÂNEAS. Pós-doutoranda pela Escola de Comunicação e Artes da USP, Janaina Leite se interessa especialmente por linguagens híbridas e estados limites do corpo e da consciência. Em (OB)CENAS CONTEMPORÂNEAS, a artista, acompanhada de parceiros de longa data como Lara Duarte e André Medeiros Martins, volta aos palcos com suas mais recentes montagens – Stabat Mater, História do Olho – um conto de fadas pornô-noir e Deeper, além de lançar o livro O feminino e a abjeção - Ensaios a (ob)scena contemporânea. O projeto engloba ainda uma oficina, mesas de debates sobre arte e tecnologia e uma palestra-performance. Stabat Mater abre a mostra de espetáculos com apresentações de 3 a 6 de abril, quinta-feira a sábado, 20h e domingo, 18h e na sequência, de 12 a 27 de abril, sexta-feira e sábado, 19h e domingo, 17h, é a vez de História do Olho – um conto de fadas pornô-noir, ambos com sessões gratuitas no Tusp. Já Deeper faz temporada – também com ingressos gratuitos – de 22 de maio a 1º de junho, de quinta-feira a domingo, 14h30 às 19h30, no Centro Cultural Olido. Para Janaina Leite, a oportunidade de apresentar novamente os três espetáculos, além do lançamento do seu livro e das ações formativas – com apoio da 19ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo – é resultado da sua pesquisa continuada sobre o corpo como estado limite. “Move essa proposta o desejo de revolver, de maneira lúdica, marcas profundas de como nos relacionamos com a dor e o erotismo e com os arranjos que estruturam a plasticidade, a sexualidade e a consciência”, conta ela. Stabat Mater Vencedor da 32ª Edição do Prêmio Shell de Teatro na categoria Dramaturgia, escolhido como melhor espetáculo de 2019 em importantes veículos da imprensa brasileira e eleito como melhor espetáculo de 2024 em Portugal, Stabat Mater investiga os limites entre efeito e risco, experiência e representação. A partir do texto teórico Stabat Mater (em latim, estava a mãe), da filósofa e psicanalista Julia Kristeva, Janaina Leite, que assina a dramaturgia e a direção, e está em cena ao lado de sua mãe Amália Fontes Leite e Príapo (personagem para o qual se buscou um ator pornô), propõe o formato de uma palestra-performance sobre o feminino, remontando à história da Virgem Maria, ao mesmo tempo em que tenta dar conta do apagamento da sua mãe na sua peça anterior, Conversas com Meu Pai. Em cena, Janaina articula de forma radical temas historicamente inconciliáveis como maternidade e sexualidade. Tendo o terror e a pornografia como bases estéticas, a artista investiga as origens de um arranjo histórico entre o feminino e o masculino, que a obra tenta desarmar não sem antes correr riscos e enfrentar os mecanismos de gozo e dor que fixam essas posições. É a partir de Stabat Mater, que Janaina Leite começou a explorar o universo da pornografia propondo e realizando uma cena de sexo explícito com um dos principais atores pornôs do Brasil. A montagem joga ostensivamente com a teatralidade através da cenografia e das três figuras em cena. A mesa da palestra pode ser uma mesa de um altar para a realização de uma missa, assim como o ambiente pode se transformar em uma boate com um pole dance, ou um grande falo. O espaço pode ser tanto um útero como um túmulo, significando nascimento ou morte. História do Olho – um conto de fadas pornô-noir Livremente inspirada na novela História do Olho, de Georges Bataille, a montagem – híbrido entre ficção e não ficção com 12 performers amadores e profissionais do sexo – aprofunda a investigação da relação e fronteiras entre teatro e pornografia, reivindicando a pornografia como uma arte cênica. Com a colaboração de Lara Duarte, parceira de criação em Stabat Mater e Camming 101 Noites, e do multiartista André Medeiros Martins, que realiza trabalhos sobre arte e pornografia em diferentes plataformas, História do Olho – um conto de fadas pornô-noir segue a estrutura do livro para contar, em cenários de contos de fadas, o início da vida sexual do jovem narrador a partir do encontro com as adolescentes Simone e Marcela. A partir daí o trio passa a experimentar a sexualidade de forma bárbara e desenfreada. No entreato, o público assiste a um show com música ao vivo e performances pornográficas. Entre a teatralidade ostensiva e o explícito da pornografia, o espetáculo recria essa fábula noir entre o vulgar e o sublime, o mundano e o cósmico, o ordinário e o abissal. Ao fim, Janaina assume a cena como diretora-performer para contar em primeira pessoa o surpreendente capítulo Reminiscências, em que Bataille conta as origens biográficas que suscitaram a escrita do livro, fazendo do autor seu próprio alter ego pornográfico. Deeper A obra imersiva 3D une teatro e tecnologia digital para pensar o corpo material e imaterial no limiar da consciência. O projeto de Janaina Leite, com codireção de Ultra Martini, acontece em colaboração com a artista visual Leandra Espírito Santo. A convite da Edinburgh Fringe Society como parte da iniciativa Voices from the South e contemplados pelo edital Arte no Metavers, do Itaú Cultural, os artistas, em parceria com Pedro Jardim da Anitya Space, concebem o projeto. Em Deeper, o espectador é convidado para um passeio entre o mundo físico e o virtual por meio de óculos de realidade virtual 3D. Transitando por câmaras e corredores e se deparando com experimentos, que vão de práticas fetichistas na sala denominada "Glory Hole" – concebida a partir do projeto Fetiches, de André Medeiros Martins – até à sala onde se lê nas paredes digitais "I am my own laboratory", o público pode experimentar, sob o ponto de vista em primeira pessoa, de uma cena de suspensão corporal. A intensa presença do mundo digital, das mídias sociais, e em breve, a internet 3.0, no cotidiano das pessoas, apontam para mudanças significativas na subjetividade em um mundo em que as fronteiras entre a realidade física e a digital já se encontram cada vez mais borradas. “Um dos temas que interessa ao trabalho é a possibilidade de pensar a ‘dissociação’ como paradigma de subjetivação do qual ainda não podemos prever as consequências. Tudo isso parece ser um campo fértil para as linguagens artísticas em suas múltiplas hibridizações”, aponta Janaina. Lançamento de livro Idealizado enquanto tese de doutoramento defendida em 2021 na Universidade de São Paulo, mas encontrando sua estrutura em uma espécie de jornada teórico-artística-biográfica, o livro O feminino e a abjeção - Ensaios a (ob)scena contemporânea, parte do chamado em torno do “enigma da sexualidade” – conceito central da psicanálise –, mas tramado a partir das vivências da própria autora. A particularidade desta obra é que à narrativa em primeira pessoa se somam reflexões cunhadas a partir da psicanálise, das teorias de gênero e das questões que as artes da performance vêm lançando ao teatro. Com lançamento dia 1º de maio, quinta-feira, na Casa Farofa, no Bixiga, o livro tem orelha de Luciana Romagnolli e prefácio de Lúcia Romano e faz parte da coleção Arte e Filosofia da Editora Annablume com comitê editorial formado por nomes como Christine Greiner e Luiz Fernando Ramos. O evento conta com a ações dos performers dos laboratórios Feminino Abjeto 1 e 2 como a exibição do mini-documentário de Sol Faganello sobre o processo de criação, publicações e bate-papo. Palestra performance Criada como aula magistral no III Congreso Latinoamericano de práctica artística como investigation em outubro de 2024 na PUC de Santiago, no Chile, a palestra performance O corpo material e imaterial em suas borderlines, é apresentada pela primeira vez no Brasil. No trabalho, Janaina Leite adota uma estrutura narrativa e cartográfica para retraçar a trajetória que culmina em sua pesquisa atual sobre o corpo e a virtualidade. Para isso, revisita experiências biográficas e aspectos de suas últimas criações, que tangenciam os territórios da sexualidade, da morte e da loucura, a fim de refletir sobre os limites do corpo e da consciência em uma relação indissociável entre teoria e prática, arte e vida. Serviço: Stabat Mater 3 a 6 de abril, quinta-feira a sábado, 20h e domingo, 18h (sessão de 4 de abril é acessível em libras e 5 de abril em libras e audiodescrição). Tusp – Teatro da Universidade de São Paulo – Rua Maria Antônia, 294 – Consolação, São Paulo. 100 minutos | 18 anos | Ingressos gratuitos. História do Olho – um conto de fadas pornô-noir 12 a 27 de abril, sexta-feira e sábado, 19h e domingo, 17h (sessões de 18, 19, 25 e 26 de abril são acessíveis em libras e 25 de abril em libras e audiodescrição). Tusp – Teatro da Universidade de São Paulo – Rua Maria Antônia, 294 – Consolação, São Paulo 180 minutos (com intervalo) | 18 anos | Ingressos gratuitos. Deeper 22 de maio a 1º de junho, de quinta-feira a domingo, 14h30 às 19h30. Centro Cultural Olido – Av. São João, 473 – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo. 60 minutos | 18 anos | Ingressos gratuitos. O feminino e a abjeção - Ensaios a (ob)scena contemporânea Lançamento livro + ações com performers de Feminino Abjeto 1 e 2 1º de maio, quinta-feira, 14h às 22h Casa Farofa – Rua Treze de Maio, 240 – Bixiga, São Paulo. 14 anos | Evento gratuito | Preço livro R$95,00 (no dia do lançamento preço promocional de R$70,00). Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
FREDERICO PAULA JUNIOR
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