Neste sábado (22), o mundo celebrou o Dia Mundial da Água, uma data que deveria ser de reflexão e conscientização sobre a importância desse recurso essencial à vida. No Brasil, entretanto, a realidade é alarmante: a falta de saneamento básico levou a mais de 344 mil internações em 2024, conforme dados do Instituto Trata Brasil. Esses números não são apenas estatísticas frias; representam vidas afetadas, sofrimento e um problema crônico que exige soluções urgentes.
Os impactos da precariedade sanitária são devastadores. Doenças transmitidas por vetores, como a dengue, responderam por quase 169 mil internações. Outras 164 mil pessoas foram hospitalizadas devido a doenças de transmissão fecal-oral, como gastroenterites virais e bacterianas, resultantes da contaminação da água e de condições higiênico-sanitárias precárias. Em um país com recursos naturais abundantes e avanços tecnológicos, é inaceitável que milhões ainda vivam sem acesso a água tratada e esgotamento sanitário adequado.
A solução passa por investimentos sérios e planejamento eficiente. Em 2020, o Marco Legal do Saneamento foi aprovado, estabelecendo metas para universalizar o acesso à água potável e ao esgoto até 2033. Contudo, a execução dessas medidas ainda caminha a passos lentos. Falta fiscalização, compromisso político e vontade de priorizar um problema que afeta, principalmente, populações vulneráveis.
A ausência de saneamento adequado também tem impacto econômico. O Sistema Único de Saúde (SUS) gasta bilhões anualmente no tratamento de doenças evitáveis. Além disso, crianças perdem dias letivos, trabalhadores faltam ao serviço e a produtividade do país é comprometida. O saneamento não é apenas uma questão de saúde, mas também de desenvolvimento social e econômico.
Neste Dia Mundial da Água, é fundamental lembrar que a água limpa é um direito básico, não um privilégio. Cabe ao poder público acelerar a implementação de políticas eficazes, garantir investimentos e estabelecer parcerias público-privadas para ampliar a infraestrutura sanitária. Enquanto isso, a sociedade deve cobrar ações concretas e valorizar a educação sanitária, promovendo o uso consciente da água e a prevenção de doenças.
A crise do saneamento no Brasil é uma urgência negligenciada, mas ignorá-la tem um preço alto: vidas perdidas, recursos desperdiçados e um futuro comprometido. Passou da hora de tratarmos essa questão com a seriedade que ela merece.
*Alessandro Castanha da Silva é biólogo, especialista em Microbiologia Clínica e professor dos cursos da Área de Saúde da Uninter.
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JULIA CRISTINA ALVES ESTEVAM
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