Compliance marca o fim da 'gambiarra' corporativa?

Empresas investem cada vez mais em integridade e transparência para garantir competitividade no mercado

ADRIANA ARRUDA
11/02/2025 11h43 - Atualizado há 1 mês
Compliance marca o fim da gambiarra corporativa?
Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S (Foto: Isaque Martins)

O Brasil é conhecido pela criatividade e pelo "jeitinho" na resolução de problemas, mas no ambiente corporativo essa flexibilidade pode custar caro. Com o avanço das exigências regulatórias e a maior fiscalização, a prática de compliance vem ganhando força e se tornando um requisito fundamental para empresas que desejam se manter competitivas no mercado.

"Compliance nada mais é do que seguir as regras, garantir que a empresa esteja em conformidade com leis e normas aplicáveis ao setor. Parece básico, mas a verdade é que muitas empresas ainda enxergam isso como um custo, quando na realidade é um investimento na própria perenidade do negócio", explica Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, startup sediada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp.

Nos últimos anos, grandes escândalos de corrupção impulsionaram a adoção de programas de compliance em diversos setores, como financeiro, saúde e tecnologia. Códigos de conduta claros, treinamentos internos, canais de denúncia e auditorias regulares são alguns dos pilares dessas iniciativas. "Hoje, não se trata mais de uma opção. Empresas que não adotam boas práticas de governança e integridade perdem espaço no mercado", reforça Santos.

Cultura empresarial como desafio

A implementação do compliance no Brasil esbarra, principalmente, na cultura corporativa. "Ainda há um pensamento enraizado de que quem segue as regras sai perdendo, de que a burocracia atrapalha a eficiência. Mas isso já se provou um erro. Empresas que investem em transparência não apenas evitam multas e fraudes, como também atraem talentos e investidores", afirma o especialista.

Mesmo startups e empresas de tecnologia, conhecidas por sua velocidade e inovação, têm percebido a importância do compliance. "A regulação não é um entrave para a criatividade, mas um guia que permite crescimento sustentável. Quem inova dentro das regras cria modelos de negócio mais sólidos", destaca Santos.

Fim do "jeitinho"?

O compliance está se tornando um padrão inegociável, e empresas que não se adequarem correm riscos financeiros e reputacionais. "O mercado está mais atento do que nunca. Investidores, clientes e a sociedade exigem transparência e ética. Quem insistir no improviso pode pagar um preço alto", alerta o especialista.

Ainda assim, a cultura do "jeitinho" pode persistir em algumas empresas. "O Brasil é um país criativo por natureza, e talvez sempre haja espaço para ajustes e flexibilidade. Mas uma coisa é certa: a ética e o cumprimento das normas vieram para ficar", conclui Santos.

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Virgilio Marques dos Santos é um dos fundadores da FM2S, gestor de carreiras, PhD, doutor, mestre e graduado em Engenharia Mecânica pela Unicamp e Master Black Belt pela mesma Universidade. TEDx Speaker, foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da Unicamp, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.


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ADRIANA GONCALVES ARRUDA
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FONTE: Divulgação FM2S
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