Jornalismo em Extinção - Como as falsas Assessorias de Imprensa estão ditando o que importa
O impacto da comunicação na qualidade da informação e no futuro da imprensa independente
CLAUDIO RIBEIRO JR. | COORDENADOR DE COMUNICAÇÃO TV EVANGELIZAR
04/02/2025 16h22 - Atualizado há 1 mês
Divulgação
*Por Claudio Ribeiro Jr.
Como a produção de conteúdo sob encomenda está transformando o mercado de trabalho e afetando a qualidade da informação que consumimos. Em um mundo onde a imagem é tudo, as assessorias de imprensa se tornaram peças-chave no jogo da comunicação. Contratadas por empresas, governos e instituições, elas são responsáveis por criar releases, gerenciar crises e garantir que seus clientes estejam sempre sob os holofotes. Mas, enquanto o setor cresce, uma pergunta incômoda surge: a quem serve esse conteúdo? A ascensão das assessorias de imprensa trouxe consigo uma mudança profunda no mercado de trabalho jornalístico. Profissionais que antes buscavam apurar fatos e contar histórias relevantes agora se veem pressionados a produzir releases e matérias pagas, muitas vezes sem espaço para investigação ou crítica. Com o declínio das redações tradicionais, muitos jornalistas migraram para o setor de comunicação corporativa. No entanto, essa transição nem sempre é positiva. A autonomia do profissional é reduzida, e o trabalho se transforma em uma reprodução de press releases, distante do ideal de jornalismo independente. As assessorias frequentemente priorizam a quantidade em vez da qualidade. Redações são inundadas com releases que não agregam valor jornalístico, sobrecarregando os profissionais e desviando o foco de pautas que realmente importam para a sociedade. O conteúdo produzido por assessorias tende a refletir apenas a visão do contratante, ignorando perspectivas críticas ou pluralistas. Isso limita o debate público e reforça narrativas unilaterais, em detrimento da diversidade de opiniões. Embora faltem estudos específicos sobre o impacto das assessorias no mercado de trabalho, algumas pesquisas já apontam tendências preocupantes como a redução de redações. Segundo o Reuters Institute for the Study of Journalism, o número de jornalistas em redações tradicionais caiu drasticamente na última década, enquanto o setor de comunicação corporativa cresceu exponencialmente. Um estudo da Content Marketing Institute revela que 70% das empresas investem em produção de conteúdo, muitas vezes sem clareza sobre o impacto social desse material. O crescimento das assessorias de imprensa não é, por si só, um problema. Elas são ferramentas importantes para a comunicação estratégica. No entanto, o uso excessivo e pouco crítico desses serviços pode estar contribuindo para a erosão do jornalismo independente e a produção de conteúdo irrelevante. É hora de repensar o papel de alguns desses profissionais que atuam apenas em busca do dinheiro e que, infelizmente, se denominam como assessorias e buscar um equilíbrio que atenda tanto aos interesses dos contratantes quanto às necessidades informativas da sociedade. Afinal, em um mundo cada vez mais conectado, a qualidade da informação que consumimos é fundamental para a democracia e o bem-estar coletivo. 3 passos do que devemos fazer Consumidores: Exijam transparência sobre a origem das informações. Profissionais: Lutem por autonomia e espaço para pautas relevantes. Empresas: Invistam em conteúdo que agregue valor social, além de interesses corporativos. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
CLAUDIO BENITO ANTUNES RIBEIRO JUNIOR
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FONTE: www.comunicacaoestrategica.jor.br