A recuperação do mercado de trabalho global está em um momento crítico. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a economia mundial enfrenta entraves como tensões geopolíticas, custos climáticos crescentes e problemas de dívida que pressionam os trabalhadores. O relatório “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências 2025”, lançado em 16 de janeiro, alerta para uma desaceleração econômica que afeta diretamente a criação de empregos, com destaque para a redução de oportunidades em países de baixa renda.
O déficit mundial de empregos atingiu 402 milhões em 2024, número que reflete um conjunto diverso de situações. Entre os mais afetados estão trabalhadores desencorajados e aqueles com obrigações que os impedem de acessar o mercado de trabalho.
Em paralelo, setores como energias renováveis e tecnologias digitais oferecem oportunidades de crescimento, mas a distribuição desigual desses empregos e a falta de infraestrutura em alguns países limitam o alcance desses avanços.
A estagnação no mercado de trabalho global traz questões urgentes para o contexto sindical. O relatório da OIT destaca que a inflação, embora controlada em alguns países, ainda reduz o poder de compra dos salários. Além disso, as taxas de desemprego juvenil, mesmo estáveis, permanecem altas em diversas regiões, apontando para a necessidade de políticas que garantam trabalho decente e oportunidades de capacitação.
É nesse contexto que os acordos coletivos surgem como uma ferramenta estratégica para proteger os trabalhadores diante das adversidades. A negociação sindical pode ser uma resposta ao desequilíbrio salarial, à informalidade e à falta de proteção social, apontados como fatores que perpetuam a desigualdade.
Setores como o de energia verde, por exemplo, podem se beneficiar de acordos que valorizem a formação profissional e assegurem condições de trabalho dignas, ampliando os impactos positivos dessas novas indústrias.
O relatório também chama atenção para o potencial dos setores verde e digital na criação de empregos. Em 2024, o setor de energias renováveis alcançou 16,2 milhões de empregos, com maior concentração no Leste Asiático. No entanto, para que essa transição seja inclusiva, é essencial que sindicatos e organizações laborais participem do planejamento de políticas públicas voltadas à sustentabilidade.
Além disso, o avanço tecnológico exige maior qualificação da força de trabalho. Aqui, os sindicatos podem atuar para garantir que investimentos em treinamento sejam acessíveis a todos, ampliando a inserção de trabalhadores em mercados competitivos. A busca por acordos que contemplem tais demandas pode ser o diferencial para diminuir as desigualdades no acesso às novas oportunidades e garantir os direitos trabalhistas já conquistados.
A análise da OIT deixa claro que a recuperação do mercado de trabalho requer ação coordenada entre governos, empresas e sindicatos. Enquanto setores emergentes oferecem possibilidades, o déficit de empregos e as disparidades na força de trabalho continuam a impactar milhões de pessoas.
A promoção de acordos coletivos, aliados a investimentos em infraestrutura e proteção social, pode não apenas aliviar os desafios atuais, mas também pavimentar um caminho mais justo e sustentável para os trabalhadores.
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DANIEL CORREA RODRIGUES
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