29/09/2021 às 20h10min - Atualizada em 29/09/2021 às 20h30min

Ainda vale a pena deixar dinheiro na poupança?

(*) Joni Tadeu Borges

SALA DA NOTÍCIA NQM
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Na última quarta-feira (22/09), o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa de juros básica, a taxa Selic, para 6,25% ao ano (a.a.). Essa foi a 5ª alta consecutiva da taxa em 2021, sendo que em janeiro ela estava em 2,0% a.a. É importante levar em conta que a elevação da taxa de juros é uma política econômica adotada pelo Banco Central do Brasil (Bacen) para conter a inflação que está acumulada em 9,68% nos últimos doze meses, e em 5,67% somente neste ano. 
                                                                                 

Contudo, especialistas do mercado financeiro apresentaram expectativa de mais alta para ambos os indicadores. Segundo o relatório Focus divulgado em 27 de setembro pelo Bacen, as estimativas para o mês de dezembro são de uma taxa Selic de 8,25% a.a. e de uma inflação de 8,45% a.a. Justamente os dois indicadores que afetam diretamente os recursos depositados na caderneta de poupança, seja no rendimento ou na perda do poder de compra.

Sendo assim, é interessante para quem pretende depositar algum valor na caderneta de poupança que conheça as regras que estabelecem as condições do rendimento da aplicação. Está previsto na legislação que o rendimento da caderneta de poupança é de 70% da taxa Selic mais a Taxa Referencial (TR), mas isso só vale quando a Selic estiver menor ou igual a 8,5% a.a. Quando a taxa for superior a 8,5% a.a., o rendimento será de 0,5% ao mês mais a TR. Vale destacar que, atualmente, a TR está em 0%. Na prática, quem aplicar R$ 1.000,00 hoje na caderneta de poupança, considerando uma taxa de juros (Selic) de 6,25% a.a., terá um rendimento de R$ 43,75 ao final de um ano. Ou seja, 70% de 6,25% a.a. da Selic + 0% da TR representam 4,375% a.a.                                                               

Considerando a taxa de inflação anual de 9,68% a.a., o atual rendimento da caderneta da poupança não repõe a perda do poder de compra gerada pela inflação. Na comparação, se um produto custa R$ 1.000,00 e for reajustado somente pelo índice de inflação acumulado hoje, ele custará R$ 1.096,80 daqui um ano. O mesmo valor aplicado na poupança somaria R$ 1.043,75 ao final do mesmo período. O valor acumulado na caderneta não seria suficiente para adquiri-lo, por exemplo.

Logo, enquanto a remuneração da poupança for menor que o índice da inflação, esse tipo de aplicação não é uma boa opção para investir o seu dinheiro. Existem no mercado financeiro outros investimentos mais atraentes e com menor risco que podem gerar maior rentabilidade para o investidor. Cabe ao poupador/investidor verificar os principais tipos e condições oferecidas antes de aplicar um determinado valor. Uma dica de ouro é determinar um objetivo para o uso do dinheiro aplicado, isso sempre ajuda a traçar um caminho a seguir.

(*) Joni Tadeu Borges é especialista em Administração de Empresas – Comércio Exterior, tem MBA em Finanças Corporativas e Gestão de Riscos e três livros publicados. É professor de cursos de graduação e pós-graduação nas disciplinas de Comércio Exterior do Centro Universitário Internacional UNINTER
 
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