29/09/2021 às 13h22min - Atualizada em 29/09/2021 às 14h20min

Conheça a história de Roberta Marques, fisioterapeuta que atua na linha de frente contra a COVID-19.

SALA DA NOTÍCIA Jéssika Rezende
Claudiana Assessoria de Imprensa
Arquivo Pessoal
Nascida no interior de Goiás, a fisioterapeuta Roberta Marques conhece bem a experiência de ser a pessoa paciente da história. Sua experiência ainda que dolorosa e impactante para a sua vida, permitiu que ela tivesse um novo olhar para o tipo de atendimento que gostaria de dar aos seus pacientes, que hoje está baseado na humanização, na empatia, e na fé e o amor para a estimulação da recuperação.


Em 2007, com os seus 14 anos, após tomar uma vacina, Roberta começou a sentir o seu corpo paralisar, primeiro as pernas, depois o seu tronco e braços, logo a paralisia também chegou em seu diafragma e além de não andar, não conseguia mais respirar sem a ajuda de aparelhos.

Diante da grave situação, a fisioterapeuta foi encaminhada diretamente para a UTI, onde passou meses hospitalizada. Após ter ganhado alta, ela foi direcionada para o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação (CRER), onde passou por um longo processo de reabilitação até que voltasse a andar, “cheguei no CRER sem mexer nada, numa cadeira de rodas e sai de lá andando”, explica Roberta.

Foto publicação Instagram: https://www.instagram.com/p/CPV1kNEt6dM/?utm_medium=copy_link

Foi com todo esse acontecimento que Roberta logo percebeu que esse era o caminho que deveria trilhar profissionalmente, “eu sempre gostei de cuidar de pessoas, sabia que queria a área da saúde, antes de tudo acontecer, mas depois de tudo eu tive a certeza que essa era a minha missão, eu não tive nenhuma dúvida que era esse o propósito de Deus na minha vida, cuidar de pessoas. ”, ela explica.

Roberta realizou grande parte do seu último ano da escola hospitalizada, mas isso não impediu que ela estudasse para realizar seu sonho, e assim se fez, passou no curso de fisioterapia na Universidade Estadual de Goiás. Mas logo que iniciou o curso vieram mais e mais crises de dores e paralisias, fazendo com que ela tivesse que ficar meses hospitalizada e sem poder acompanhar as aulas. 

Ainda diante das adversidades, a fisioterapeuta se dedicou ao máximo para recuperar o tempo perdido longe das aulas, realizou diversos cursos, participou de diversas iniciações cientificas, do programa de educação tutorial e estágios. Inclusive, foi em seu estágio de terapia intensiva que Roberta descobriu a sua área especifica de atuação, a UTI.

“Mesmo já tendo sofrido tanto em uma UTI, sendo intubada quatro vezes e sentido todas as dores imagináveis, eu não tinha trauma, era ali a minha “casa”, pois eu sabia o que aqueles pacientes estavam sentindo, eu sabia que eles estavam ali mesmo que em coma, porque eu estava. Às vezes eu ouvia e sentia. Eu tenho certeza que passei por tudo que passei para saber exatamente como é o outro lado, como os pacientes sentem”, explica Roberta.
 
Após finalizar sua graduação, a fisioterapeuta se dedicou para realizar a sua residência e foi aprovada na Universidade Federal de Goiás e na Secretária da Saúde de Goiás. Porém, logo em seu primeiro ano, ela teve a quinta, sexta e sétima crise, sendo essa a última que lhe aconteceu, em 2018. “Eu fui intubada 6 vezes, por 6 vezes internada em hospital, UTI é um longe processo de reabilitação. Todas as crises demoravam muito, eram longos meses e até anos. Na última mesmo, fiquei de 2018 a 2020 doente, dois, intermináveis, anos. “, conta a fisioterapeuta.

Nessa última crise ela veio à São Paulo, especificamente par a Universidade de São Paulo (USP), para que pudessem investigar o seu caso. Já aqui, chegaram à conclusão que para o quadro dela não há um diagnóstico ainda, ou seja, ela continua vivendo sem saber o que são essas paralisias e o quanto elas podem retornar e progredir, mas isso não a faz perder as esperanças de cura.

Roberta se recuperou e retornou para a sua residência em fisioterapia intensiva bem no início época do começo da pandemia, foi para a linha de frente, mesmo com medo do vírus, para seguir a sua missão e honrar o seu juramento, cuidar de pessoas.

Na considerada “segunda onda” da pandemia, a fisioterapeuta conta que vivia nos hospitais devido à grande demanda que surgiu. Roberta conta que em seus atendimentos usa muito além do conhecimento técnico, pois preza pela humanização para que possa enxergar as reais necessidades dos seus pacientes e assim possa oferecer a melhor orientação, o melhor atendimento.

Com muita crença e fé em Deus, Roberta acredita que estamos todos aqui para realizar a obra Dele na terra, e que a principal religião deve ser o amor e a compaixão. “Acredito também que estamos aqui para evoluir e crescer e que para isso devemos ter compaixão e fazer ações concretas que demonstrem isso. Por isso, eu sempre tratei não só o corpo, eu tento perceber o que o paciente precisa e ofereço a ele. O carinho e o cuidado humanizado fazem parte dos meus protocolos. ”, ela complementa.

Roberta além de realizar os atendimentos também faz parte do Grupo Alegria, onde se veste de palhaça e realiza ações, principalmente visitas em hospitais, para alegras os pacientes internados, “já ouviu dizer que o amor cura? Então, eu acredito nisso. E juro, não tem recompensa maior do que o carinho deles comigo. Porque quando o paciente está hospitalizado, ele está no seu momento de maior vulnerabilidade, e todo profissional da saúde tem que amenizar a sua dor e não a aumentar ainda mais. ”, afirma a fisioterapeuta.

Atualmente, ela compartilha em seu perfil do Instagram momentos da sua rotina na linha de frente contra o coronavírus e do Grupo Alegria, ela diz que escolheu realizar esse compartilhamento em suas redes sociais para que o bem também fosse mostrado e servisse de inspiração.

“O mundo está meio bagunçado e precisamos inspirar as pessoas para o bem, e nos inspirar também. Eu acordo e faço a minha oração para que o meu Deus me de oportunidades de realizar o bem, então eu fico atenta a qualquer oportunidade não só com os pacientes, mas com a minha equipe (eu sempre faço bolo e levo como forma de cuidar daqueles que eu convivo), também fico atenta e cuido dos meus amigos e família. Acho que é sobre isso sabe? Ser amor em todas as oportunidades. ”, finaliza Roberta Marques, fisioterapeuta.

Para conhecer mais sobre Roberta Marques e o seu trabalho como fisioterapeuta, siga o perfil @robertarodriguesfisio no Instagram!
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