23/09/2021 às 13h30min - Atualizada em 23/09/2021 às 15h10min

Educação infantil: perdas cognitivas e motoras com aulas remotas

Edna Gambôa Chimenes (*)

SALA DA NOTÍCIA NQM
http://www.uninter.com
Divulgação
Aulas remotas e ensino hibrido. Em todo este cenário, a tecnologia tem sido importante aliada no processo de ensino-aprendizagem. Escolas e famílias seguem na busca por alternativas que possibilitem a continuidade dos estudos em meio à pandemia, em especial, na educação infantil.

Todas essas mudanças exigem uma adaptação, principalmente das crianças, que precisam ser orientadas, junto às famílias (que auxiliarão os menores), para a realização das tarefas. Na educação infantil, os principais desafios na prática das aulas remotas ou híbridas são a concentração, fixação dos conteúdos e o equilíbrio na criação de uma rotina de estudos.

É fato que a aprendizagem, como apresentada na concepção de Vygotsky, psicólogo bielo-russo que realizou diversas pesquisas na área do desenvolvimento da aprendizagem, ocorre mediante as interações sociais, que são fundamentais para o desenvolvimento mental, psíquico e motor do indivíduo. Nesta perspectiva, o amparo afetivo é parte do desenvolvimento cognitivo, mantendo a ideia de que as relações afetivo-emocionais devem ser preservadas em qualquer modalidade de ensino.

No meio de uma pandemia, garantir o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças se tornou um grande desafio, já que tanto os professores quanto as famílias tiveram pouco tempo para esta adaptação, e o processo teve que ser realizado, muitas vezes, por experimentação, durante o planejamento e aplicação das aulas remotas.

A inserção do digital na educação já era uma realidade, exigindo que as escolas se atualizassem quanto às novas ferramentas e suas formas de uso, para atender principalmente esta geração, que praticamente nasce conectada. A pandemia, nesse contexto, apenas antecipou esta inserção, fazendo com que o tecnológico permeie, efetivamente, a construção da aprendizagem.

As ferramentas tecnológicas, quando utilizadas como parte do processo educacional, potencializam a comunicação com os alunos, tornando a aula mais significativa e próxima da realidade, além de poder trazer aspectos de ludicidade, com jogos digitais, vídeos, músicas, visitas a museus virtuais etc. Além disso, também pode atuar no desenvolvimento da coordenação motora, com atividades que façam as crianças imitarem gestos, expressões, danças, entre outros, podendo estar presentes em jogos e histórias que estimulem a criatividade e garantam e interatividade dos pequenos.
Cenário ideal, não é mesmo? Agora precisamos saber se todos esses elementos têm sido cumpridos nestas aulas, pois vivemos uma realidade onde a família, além de dar o suporte ao desenvolvimento educacional da criança, também precisa cumprir suas atividades profissionais no home office, ou fora de casa, além de todas as obrigações familiares e sociais.

O que precisa ser refletido e repensado é que, mesmo diante de algumas dificuldades, a criança (e seu desenvolvimento) deve ser colocada em evidência, buscando alternativas, tanto por parte das escolas, quanto das famílias, para que esse novo formato (remoto ou híbrido) não gere prejuízos educacionais e garanta o aprendizado necessário para o desenvolvimento cógnito e motor, que são tão importantes durante a faixa etária da educação infantil.

(*) Edna Gambôa Chimenes é pedagoga, mestre em Estudos de Linguagens e Tutora dos Cursos de Pós-Graduação na Área de Comunicação do Centro Universitário Internacional UNINTER


 
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