22/09/2021 às 12h44min - Atualizada em 22/09/2021 às 15h20min

África do Sul tem a maior taxa de desemprego do mundo

País líder econômico do continente africano passa por sua pior crise trabalhista dos últimos 13 anos

SALA DA NOTÍCIA Alice Bachiega
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Diferentemente de seus vizinhos, a África do Sul é um dos poucos países africanos com extensa diversidade econômica, algo que vai muito além do turismo de safari, exposto mundialmente pela mídia. Além da atividade industrial, o país também é um grande produtor agropecuário, graças às extensas terras férteis, o que favorece a produção agrícola. E seu parque industrial é destacado pela forte presença de indústria química, petroquímica e siderúrgica.

No entanto, as riquezas industriais e naturais, ainda que muito relevantes, não necessariamente são sinônimos de empregabilidade. Embora o país seja o mais industrializado do continente africano, a África do Sul atingiu a marca de 34,4% de taxa de desemprego no segundo trimestre de 2021, aponta estudo divulgado pela Stats SA (órgão de estatísticas sul-africano) – esse é o maior índice desde 2008, quando se iniciou a série estatística histórica no país.

O cenário classifica o país exatamente entre os mais críticos quanto à empregabilidade. Segundo ranking divulgado pela Bloomberg, os países com maior desemprego em 2021 são África do Sul (34,4%,) Namíbia (33,4%), Nigéria (33,3%), Jordânia (25%) e Costa Rica (18,1%).

Os efeitos do impacto da pandemia no país

Para além da alta taxa de desemprego, o país também foi pego desprevenido pela pandemia e apresentou bastante dificuldade para se recuperar dos efeitos causados por ela. Com meses de restrições, a conjuntura ficou ainda mais comprometida: as atividades econômicas  foram sufocadas e milhões de empregos foram dissolvidos.

O sentimento de insatisfação por causa do desemprego, aliado aos escândalos de corrupção, que já perduram por mais de uma década no país, fomentou uma onda de protestos e tumultos em julho deste ano. Empresas e fábricas foram fechadas e saqueadas, principalmente nas províncias de Gauteng e KwaZulu-Natal, o que resultou em um prejuízo de 50 bilhões de rands – o equivalente a cerca de R$ 17,4 bilhões –, além da morte de 354 pessoas.

Falta de motivação e o cenário econômico

Segundo a Stats SA, 235 mil pessoas se integraram na categoria dos chamados "buscadores de trabalho desalentados" – trabalhadores desempregados e desmotivados a buscar vagas pela situação econômica do ambiente em que se encontram –, o que causou um aumento de 8,7% entre o terceiro e quarto trimestres de 2020. No entanto, a África do Sul começou a mostrar sinais de recuperação: o número de desempregados "por razões diferentes do desânimo" caiu em 1,1 milhão – o equivalente a 7,4%.

A taxa de desemprego "expandida" – categoria para pessoas muito desanimadas para buscar emprego ativamente, que também inclui os desalentados – caiu 0,5% entre ambos os trimestres, marcando 42,6% ao final de 2020.

Uma luz no fim do túnel

Embora seja um cenário devastador, o governo sul-africano, liderado pelo Presidente Cyril Ramaphosa, prevê uma retomada do crescimento da economia nacional ainda neste ano, com uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 3,3% e a criação de novas vagas de emprego, além de interesse internacional em investimentos no setor de mineração e agropecuária no país.


 
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