21/09/2021 às 09h15min - Atualizada em 21/09/2021 às 11h30min

Consórcio - vilão ou mocinho, mas segue em alta

Por *Lorelay Lopes

SALA DA NOTÍCIA Denise Almeida
https://www.upconsorcios.com.br/
Divulgação

Por que este produto, que há quase 60 anos movimenta bilhões na economia, divide tantas opiniões? Basta dar um Google para ficar perdido e sem saber se é bom ou ruim. Será apenas um viés de interesse que recomenda uma cota de consórcio para resolver uma dor nacional: a escassez de crédito ou, ao menos, a escassez de crédito acessível aos brasileiros? Será que os haters apenas conhecem superficialmente o produto ou ouviram falar de uma péssima experiência ou até mesmo também estarão eles enviesados pelos investimentos que prometem independência financeira com data certa?

Vamos ao cenário que faz do consórcio uma alternativa cada vez mais procurada. A taxa básica de juros no Brasil é uma das mais caras do mundo. E acredite, mesmo considerando 2020 como um patamar histórico com Selic na casa dos 2%, ainda assim não abandonamos a lista dos 10 mais. No ranking de juros nominais, o Brasil ficou em 10º lugar entre os 40 países listados que possuem uma média de 2,33% ao ano. A Argentina, com taxa básica de 38% ao ano, lidera a lista, seguida pela Turquia, com 17%. Índia, China, México e Rússia vieram na sequência, com juros nominais de 6,40%, 4,35%, 4,25% e 4,25%, respectivamente. Entenda: não estamos considerando aqui o último reajuste da Selic de 0,75%.

Quem demoniza o consórcio acredita não fazer sentido algum pagar taxas para guardar dinheiro, quando na verdade você pode investir nas suas reservas tendo rendimento mensais e até liquidez. Fazem cálculos sobre os reajustes das parcelas comparando aos juros dos financiamentos.

Mas qual o papel do consórcio na economia? O sistema acaba de ultrapassar 8 milhões de participantes pela primeira vez na história. Somente entre janeiro e maio deste ano, somaram-se 1,35 milhão de novas adesões, um aumento de mais de 30% comparado ao mesmo período do ano passado. Como tratá-lo como o patinho feio dos investimentos quando o número de brasileiros que buscam no consórcio a alternativa para conquistar seus objetivos só aumenta?

Sem dúvida, o grande atrativo do consórcio é a ausência de juros, mas também a possibilidade de poupar com a esperança de ter o sonho realizado antes do tempo necessário em uma aplicação financeira. A expectativa da contemplação é o fator motivacional que move o sistema, principalmente para quem já se organizou guardando uma quantia que seria usada como entrada em um financiamento, por exemplo. Desta forma, quem contrata, o faz buscando uma ferramenta de Poupança, mas que pode se tornar uma modalidade de crédito a partir do momento da contemplação.

As frustrações de quem já participou de um grupo de consórcio e não recomenda  geralmente estão ligadas justamente à contemplação ou expectativa de ganho financeiro. Fica bem difícil comparar o consórcio em termos de rentabilidade às aplicações financeiras, mas é injusto dizer que quem o faz perde dinheiro. A aquisição de bens ou serviços pelo Sistema de Consórcios com a finalidade de gerar renda é um tipo de investimento econômico. Diferentemente de uma aplicação financeira, há, nessa modalidade, uma expectativa de retorno no resultado que os ativos reais proporcionam. 

Já é sabido que a onda do “alugar um imóvel é mais inteligente do que comprar” é válido apenas para uma pequena parte da população, sem dúvida, uma bolha formada por “faria limers”. Quem comprou um imóvel há mais de cinco anos consegue colocar na ponta do lápis e enxergar ganho financeiro com a valorização rapidamente, ganho esse que, manter o dinheiro investido, dificilmente traria. A queda dos rendimentos financeiros nos últimos dois anos esfriou a corrida por retornos garantidos e pelo enriquecimento fácil. “Como juntei 1 milhão em 3 anos” soa como bait click no YouTube. No consórcio, os defensores do sistema encontram um meio seguro para construção de patrimônio e reservas financeiras.

A 4º edição da pesquisa anual realizada pela AMBIMA - Raio X do Investidor Brasileiro - mostra queda no número de investidores pela primeira vez em quatro anos. Eles eram 44% da amostra em 2019, depois de um crescimento gradativo nas três primeiras edições da pesquisa. Em 2020 esse percentual foi de apenas 40%.

Mas o perfil do investidor brasileiro mudou. A redução dos gastos com viagens, festas, idas a bares e restaurantes favoreceu a formação de uma poupança involuntária por parte da população brasileira em 2020. Para 56% das pessoas que conseguiram guardar algum dinheiro no ano passado, essa foi a principal fonte de economia. Um ano antes, quando não havia pandemia, apenas 34% das pessoas que economizaram apontaram a redução desses gastos como origem dos recursos poupados. Isso significa que, enquanto em 2019 em torno de 12 milhões de brasileiros disseram economizar em razão do corte de gastos, em 2020 o total saltou para mais de 20 milhões de pessoas. O impacto da pandemia e do distanciamento social sobre a forma como os brasileiros economizaram dinheiro foi tão significativo que 7% deles - ou algo próximo a 2,5 milhões de pessoas - afirmaram que guardaram porque “não tinham onde gastar”. 

O Destaque vai mais uma vez para a caderneta de Poupança. Ela continua  como o investimento preferido: 29% dos brasileiros optaram por usá-la para guardar dinheiro, mas pela primeira vez, a poupança perdeu espaço, com uma queda de oito pontos percentuais em relação a 2019. E uma parte daqueles que deixaram de economizar pela poupança acabou optando pelo consórcio como forma de garantir a conquista do objetivo antes do prazo.

Os números mostram um cenário ainda mais animador para o consórcio. A pesquisa indica crescimento na intenção de migrar para produtos não financeiros em 2021. Dentre os não investidores de 2020, mas que pretendem investir, a compra de imóveis permanece na liderança entre os destinos para o dinheiro economizado, com 32%. 

A pesquisa identificou, ainda, uma mudança relevante sobre a opinião das pessoas em relação a guardar dinheiro. A percepção de importância quanto a ter uma reserva financeira foi destacada por brasileiros de todas as classes sociais. A expectativa agora é se isso será capaz de mudar o hábito de planejamento financeiro das pessoas daqui para a frente e qual será a representatividade do consórcio nesse cenário.

 

*Lorelay Lopes é Head de Negócios do UP Consórcios, fintech da Embracon 


 
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