Dinheiro esquecido em bancos sobe para R$ 5,8 bilhões em agosto
Do total disponível, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,94 milhões de pessoas físicas e R$ 1,48 bilhão são destinados a 2,36 milhões de empresas.
O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (13) que ainda há R$ 5,79 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras. Os valores, contabilizados até agosto de 2026, podem ser consultados por pessoas físicas, incluindo falecidos, e empresas por meio do Sistema Valores a Receber (SVR). Do total disponível, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,94 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,48 bilhão são destinados a 2,36 milhões de empresas. Notícias relacionadas:Produção de motos no Brasil cresce e tem melhor setembro desde 2011.FMI prevê crescimento de 2,2% do PIB do Brasil em 2026.Governo anuncia perdão de dívidas e pacote de estímulo para MEIs.O montante representa uma alta de 2,6% em relação aos R$ 5,65 bilhões registrados no mês anterior, indicando uma retomada do crescimento dos recursos disponíveis para resgate após a redução provocada pela transferência de parte do dinheiro para o programa de renegociação de dívidas do governo federal. Onde está o dinheiro? Os recursos estão distribuídos entre diferentes tipos de instituições financeiras. Os bancos concentram a maior parcela do montante disponível. Confira a distribuição: Bancos: R$ 2,46 bilhões, o equivalente a 42,4% do total Administradoras de consórcios: R$ 1,97 bilhão Cooperativas de crédito: R$ 805,6 milhões Instituições de pagamento: R$ 369,6 milhões Financeiras: R$ 121 milhões Corretoras e distribuidoras: R$ 68 milhões Outras instituições: R$ 5 milhões. A maior parte dos beneficiários tem direito a quantias pequenas. Segundo os dados divulgados: 69,4% dos valores a receber são de até R$ 10; 18,95% estão na faixa entre R$ 10,01 e R$ 100; 9,39% variam de R$ 100,01 a R$ 1 mil; 2,21% dos beneficiários têm valores superiores a R$ 1 mil para resgatar. Como consultar valores A consulta deve ser feita exclusivamente pelo Sistema Valores a Receber, do Banco Central. O procedimento permite verificar se há dinheiro disponível e identificar a instituição responsável pela devolução. Para consultar, é necessário informar o CPF e a data de nascimento, no caso de pessoas físicas, ou os dados da empresa, conforme solicitado pelo sistema. Para solicitar o resgate, o interessado deve seguir as orientações apresentadas na plataforma. Quando a devolução por Pix estiver disponível, o valor poderá ser transferido em até 12 dias úteis, segundo as instruções do serviço. Confira as etapas: Acesse o site oficial do Sistema Valores a Receber Faça a consulta dos valores disponíveis; Entre no sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, quando solicitado para o resgate; Leia e aceite o termo de responsabilidade; Confira o valor e a instituição responsável pelo pagamento; Selecione a opção de resgate disponível e siga as instruções. Quem não possui chave Pix deverá entrar em contato com a instituição financeira indicada pelo sistema para combinar outra forma de recebimento. No caso de valores pertencentes a pessoas falecidas, a consulta e a solicitação devem ser feitas por herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, conforme as exigências do sistema e da instituição financeira. De onde vêm os valores? O chamado dinheiro esquecido corresponde a recursos que pertencem a clientes, mas permaneceram em instituições financeiras sem resgate. Entre as principais situações estão: Contas correntes ou poupanças encerradas com saldo disponível Tarifas ou parcelas de operações de crédito cobradas indevidamente Recursos de grupos de consórcio encerrados Valores de contas de pagamento pré-pagas ou pós-pagas encerradas Cotas de capital e sobras líquidas de cooperativas de crédito Saldos remanescentes em contas encerradas de corretoras e distribuidoras. O sistema reúne informações fornecidas pelas instituições participantes e permite que os titulares verifiquem a existência de recursos a receber. Atenção aos golpes O Banco Central alerta que o serviço é gratuito e que não é necessário pagar intermediários para consultar ou recuperar os valores. Para evitar fraudes, é importante observar algumas recomendações: Utilize somente o endereço oficial do Banco Central; Não clique em links suspeitos enviados por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens; Não compartilhe senhas ou códigos de acesso; Desconfie de cobranças antecipadas para liberar o dinheiro; O Banco Central não envia links nem entra em contato para solicitar dados pessoais ou confirmar informações sobre valores a receber. A consulta pelo sistema oficial é a forma indicada para verificar a existência de recursos e conhecer os procedimentos para solicitar a devolução. Recursos para o Desenrola Em maio, o governo anunciou o uso de recursos esquecidos em instituições financeiras para viabilizar o Desenrola 2.0, programa voltado à renegociação de dívidas. No fim daquele mês, cerca de R$ 5,7 bilhões foram transferidos para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo que oferece garantias às instituições financeiras em operações de crédito. Na prática, o fundo pode cobrir parte das perdas dos bancos em caso de inadimplência dos tomadores de empréstimos. Segundo o governo, 10% do saldo transferido ficariam segregados para atender a eventuais pedidos de resgate dos titulares dos recursos. A operação passou a ser investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apura o uso de recursos em programas federais fora do Orçamento da União. A preocupação envolve o fato de que valores movimentados fora do orçamento não ficam submetidos aos mesmos limites fiscais aplicáveis às despesas públicas. A inclusão formal desses gastos poderia exigir o bloqueio de outras despesas discricionárias do governo.
FONTE: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/dinheiro-esquecido-em-bancos-sobe-para-r-58-bilhoes-em-agosto