Como funciona o “drogômetro” que poderá chegar às blitze da Lei Seca e detectar drogas na saliva
Novo “drogômetro” da Lei Seca poderá detectar substâncias na saliva e identificar motoristas com capacidade psicomotora afetada.
O novo “drogômetro” previsto para as blitze da Lei Seca poderá detectar substâncias psicoativas na saliva dos motoristas. A tecnologia, regulamentada pela Resolução 1.031/2026 do Contran, levantou dúvidas entre pessoas que usam medicamentos com opioides, anfetaminas ou canabinoides. O “drogômetro” será usado para identificar motoristas que estejam com a capacidade psicomotora comprometida pelo uso de substâncias. Segundo autoridades ouvidas pela BBC Brasil, o teste não deve punir quem usa medicamentos prescritos quando o tratamento não afeta a capacidade de dirigir. O novo teste utiliza a saliva do motorista para detectar substâncias como maconha, cocaína, anfetaminas e opioides. – Imagem: Focus Pix/Shutterstock Como funciona o drogômetro A Resolução 1.031/2026, publicada pelo Contran em agosto, atualizou as regras de fiscalização e abriu caminho para testes capazes de identificar maconha, cocaína, anfetaminas e opioides. A preocupação surgiu porque algumas dessas substâncias também aparecem em medicamentos usados em tratamentos de saúde. Opioides podem ser empregados contra dores, enquanto certos estimulantes utilizados no tratamento do TDAH são derivados de anfetaminas. Medicamentos com canabinoides também são usados em tratamentos. Adrualdo Catão, secretário nacional de Trânsito, explica que a fiscalização não busca simplesmente encontrar pequenos vestígios dessas substâncias. “O objetivo da nova resolução e de toda Lei Seca não é criar situações em que o cidadão pode ser punido caso faça uso regular (como em remédios, veja mais abaixo), dessas substâncias.” A infração está relacionada a outra situação: dirigir sob efeito de substâncias que possam comprometer a capacidade psicomotora. Diferentemente do bafômetro, que analisa o ar expirado para identificar álcool, o drogômetro utiliza uma amostra de saliva. A coleta é feita com um dispositivo semelhante a uma pequena esponja, que estimula a produção de saliva. Depois, o material é colocado no aparelho para análise. Alguns modelos funcionam de maneira parecida com testes rápidos usados para diagnosticar a Covid-19. A estimativa é que o procedimento, da coleta ao resultado, leve cerca de 15 minutos. Entenda o procedimento: A amostra analisada é a saliva; Alguns modelos funcionam de maneira semelhante a testes rápidos; O resultado pode sair em cerca de 15 minutos; O aparelho procura substâncias psicoativas específicas. Quem toma remédio será punido? Não é essa a finalidade da regra. Antes de serem utilizados nas ruas, os equipamentos terão de ser avaliados e certificados por instituições acreditadas pelo Inmetro. Esse processo deverá estabelecer os limites que diferenciam pequenos vestígios de uma presença relevante da substância. Leia mais: Alzheimer deixa de ser visto apenas como doença sem tratamento com avanços em medicamentos e diagnóstico precoce Cientistas criam bateria de papel que pode ser engolida para alimentar dispositivos médicos dentro do organismo Anthropic monta laboratório de biologia e amplia uso de IA em pesquisas médicas e científicas Catão afirma que aparelhos capazes de detectar qualquer quantidade da substância não serão certificados. Você não pode ser abordado e punido porque consome um remédio de acordo com o que seu médico orientou. Isso tem que ficar muito claro para toda a população. Adrualdo Catão, secretário nacional de Trânsito, à BBC Brasil. A previsão também é que o motorista não precise carregar receita ou atestado médico para comprovar o tratamento. Os testes deverão ser calibrados para dar resultado negativo quando o uso orientado por profissionais de saúde não comprometer a capacidade psicomotora. Assim como nos testes rápidos de covid-19, o resultado do drogômetro é exibido na própria fita de teste em cerca de 15 minutos. Imagem: Jarun Ontakrai – Shutterstock Quando o drogômetro começa a ser usado? A resolução não significa que os aparelhos já serão utilizados nas blitze. Depois da certificação, as autoridades ainda terão de definir como os testes serão aplicados pelos agentes de trânsito. O tempo de análise também será levado em conta, já que um procedimento de aproximadamente 15 minutos pode afetar o fluxo de veículos. Segundo Catão, os estudos e preparativos podem levar alguns meses. Por enquanto, portanto, o drogômetro ainda depende de certificação e de regras para sua aplicação. A proposta é usar o equipamento para identificar situações em que o motorista tenha a capacidade de condução afetada, sem transformar o uso regular de medicamentos prescritos em motivo de punição. O post Como funciona o “drogômetro” que poderá chegar às blitze da Lei Seca e detectar drogas na saliva apareceu primeiro em Olhar Digital.
FONTE: https://olhardigital.com.br/2026/09/23/carros-e-tecnologia/como-funciona-o-drogometro-que-podera-chegar-as-blitze-da-lei-seca-e-detectar-drogas-na-saliva/