Estudo mostra que trabalho por aplicativo cresce no Brasil, mas informalidade dispara
Levantamento aponta crescimento do trabalho por aplicativos e revela diferenças de renda, jornada e proteção previdenciária no Brasil.
O Brasil registrou cerca de 2 milhões de pessoas trabalhando por meio de aplicativos em 2025. Os números do IBGE mostram o avanço dessa modalidade no mercado de trabalho brasileiro. Apesar do crescimento, o estudo aponta rendimentos menores por hora, jornadas mais longas e menor proteção social entre os profissionais que têm as plataformas como principal atividade. A informalidade chega a 72,1% entre trabalhadores de aplicativos, contra 42,7% entre os não plataformizados. Imagem: Tricky_Shark/Shutterstock Perfil e números do trabalho por aplicativo Ao todo, 1,8 milhão de pessoas tinham as plataformas digitais como principal atividade. Esse número representa um crescimento de 9,1% em um ano e de 36,8% frente a 2022. A maioria dos trabalhadores é formada por homens, que representam 84,4% do grupo. Entre motoristas e entregadores, a falta de alternativas no mercado de trabalho tradicional foi o principal motivo apontado para a adesão aos aplicativos, seguida pela busca por flexibilidade de horários. O levantamento detalha alguns dos principais números dessa modalidade: 75% dos profissionais de transporte, armazenagem e correio trabalham por meio de plataformas; O número de entregadores cresceu 18,6% entre 2024 e 2025; A informalidade chega a 72,1% entre os trabalhadores de plataformas, contra 42,7% entre os não plataformizados; Apenas 34% dos profissionais de aplicativos contam com cobertura previdenciária. Jornada mais longa e ganho menor por hora A comparação com trabalhadores do setor privado que não atuam por plataformas mostra uma diferença importante na jornada. Quem trabalha por aplicativos cumpre, em média, 5,4 horas a mais por semana para obter uma renda equivalente. Na média por hora trabalhada, o valor fica em R$ 16,20 para os profissionais de plataformas. O montante é 12% inferior aos R$ 18,40 recebidos por hora pelos trabalhadores não plataformizados. Menos proteção social A informalidade também afeta o acesso a direitos como descanso semanal remunerado, férias e 13º salário. Na Previdência, apenas 34% dos profissionais de aplicativos contam com cobertura, contra 63% entre os demais trabalhadores da iniciativa privada. Com isso, mais de dois terços desse contingente ficam sem cobertura previdenciária para benefícios como auxílio por incapacidade temporária, pensão por morte e aposentadoria. Leia mais: Marcar eventos via WhatsApp ficará mais fácil; entenda como será o novo recurso Finalmente! Google lança app do Gemini para Windows — e ele quer ficar no seu PC Golpe usa falso app do Mercado Livre para invadir celulares A procuradora Clarissa Ribeiro Schinestsck, responsável pela cooperação entre MPT, Unicamp e IBGE, destacou a situação: “A transformação digital e o uso de novas ferramentas tecnológicas não podem significar a desconstrução dos direitos sociais nem a normalização de jornadas exaustivas sob o manto de uma falsa autonomia. O que o estudo comprova, de modo irrefutável, é a sobrecarga e o desamparo previdenciário enfrentados diariamente por esses trabalhadores. O convênio mantido entre o MPT, a Unicamp e o IBGE é fundamental para fornecer elementos fáticos e sólidos à sociedade e aos órgãos públicos, orientando a atuação institucional e a indispensável regulação que respeite a dignidade do trabalhador.” O trabalho por aplicativos cresce no Brasil, mas os indicadores apontam jornadas maiores e menor proteção social. Imagem: Prostock-studio/Shutterstock Tecnologia muda a forma de controle Para o pesquisador José Dari Krein, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, a pesquisa reforça a precariedade do trabalho por plataformas, com piora nos indicadores de proteção previdenciária, rendimento por hora e jornada em relação a 2024. As plataformas combinam baixa proteção social, jornadas extensas e menores rendimentos por hora, mantendo o controle sobre preços, clientes e organização da atividade. A tecnologia não elimina a subordinação: modifica seus instrumentos, enquanto transfere custos e riscos aos trabalhadores. José Dari Krein, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) do Instituto de Economia da Unicamp, em nota. Os dados da pesquisa mostram o crescimento do trabalho por aplicativos ao mesmo tempo em que revelam diferenças nas condições de jornada, rendimento e proteção social em relação aos demais trabalhadores do setor privado. O post Estudo mostra que trabalho por aplicativo cresce no Brasil, mas informalidade dispara apareceu primeiro em Olhar Digital.
FONTE: https://olhardigital.com.br/2026/09/16/internet-e-redes-sociais/estudo-mostra-que-trabalho-por-aplicativo-cresce-no-brasil-mas-informalidade-dispara/