Hospital Municipal do Campo Limpo homenageia famílias de doadores de órgãos na campanha Setembro Verde

Unidade da Zona Sul realiza encontro no dia 15 e destaca índice de recusa familiar de 17,24%, patamar bem abaixo da média nacional.

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Imagem: Divulgação / SMS - Prefeitura de SP

O Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha (Campo Limpo), situado na Zona Sul da capital e gerido pela Secretaria Municipal da Saúde, realiza na próxima terça-feira (15), o o evento anual “Celebrando a vida: transformando despedidas em novos começos”. A iniciativa, que chega ao terceiro ano consecutivo em apoio à campanha Setembro Verde — voltada ao Dia Nacional de Doação de Órgãos, em 27 de setembro —, presta homenagem às famílias de pacientes que autorizaram a doação de órgãos e tecidos, auxiliando no enfrentamento positivo do luto e valorizando o impacto solidário do gesto.

A recusa de familiares ainda é o principal obstáculo no processo de transplantes no país, alcançando 45% das notificações de morte encefálica registradas pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Conforme a legislação nacional (Lei nº 9.434/1997 e Decreto nº 9.175/2017), a decisão cabe integralmente aos parentes após o óbito. Em 1º de setembro de 2026, dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) apontavam 49.489 pacientes na fila de espera por órgãos — a grande maioria (45.882) aguardando um rim —, além de 37.719 inscritos para córneas, contra 6.314 procedimentos concluídos ao longo do ano no Brasil.

Na cidade de São Paulo, as centrais estaduais de transplantes acionam quatro Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) — alocadas no Hospital das Clínicas da USP, Santa Casa de São Paulo, Hospital Dante Pazzanese e Hospital São Paulo — com base nas notificações emitidas pelas Equipes Hospitalares de Doação para Transplantes (e-DOTs) de diversos hospitais públicos, incluindo o HM do Campo Limpo, HM Vila Nova Cachoeirinha, Tide Setúbal, Saboya, Ermelino Matarazzo, Tatuapé, Cidade Tiradentes, M'Boi Mirim e Parelheiros, entre outros. A equipe avalia a viabilidade dos órgãos para que a central estadual direcione aos receptores compatíveis.

Referência municipal em neurocirurgia, o Hospital Municipal do Campo Limpo notificou 116 mortes encefálicas em 2025, resultando na captação e no transplante de 201 órgãos sólidos e tecidos (incluindo 92 rins, 54 córneas, 30 fígados, 9 pâncreas, 4 corações e 4 pulmões). Do total de notificações não concluídas, 28,44% deveram-se a contraindicações clínicas, 11,20% a paradas cardiorrespiratórias e apenas 17,24% a negativas familiares. Segundo o enfermeiro Lucas Alves de Andrade, da e-DOT da unidade, o desempenho decorre de protocolos rígidos de manutenção do potencial doador, capacitação contínua das equipes e divisão clara de funções para apoiar a decisão dos familiares com respeito e acolhimento.