Prefeitura de SP inicia distribuição gratuita de sensores de glicemia para crianças com diabetes

Iniciativa beneficia 1.584 pacientes de 2 a 12 anos na rede municipal e elimina necessidade de picadas diárias nos dedos.

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Imagem: Leon Rodrigues / Prefeitura de SP

A Prefeitura de São Paulo iniciou, nesta quinta-feira (18), a distribuição gratuita de sensores de monitoramento contínuo de glicose para crianças de 2 a 12 anos com diabetes tipo 1. A iniciativa, respaldada pela Lei nº 18.306, atende 1.584 pacientes cadastrados no Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) da rede municipal de saúde. O equipamento realiza a medição contínua dos níveis de açúcar no sangue sem a necessidade de picadas diárias nos dedos. O custo estimado é de R$ 770 mensais por paciente, e a reposição dos dispositivos ocorrerá a cada 15 dias nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Durante o evento de entrega na UBS Malta Cardoso, o prefeito Ricardo Nunes enfatizou a importância da nova política pública para as famílias de baixa renda. “Hoje a gente inaugura mais uma política pública super importante, que são os sensores de glicemia para as crianças com diabetes tipo 1. Esses aparelhos vão substituir algo que é muito complexo para as mamães”, afirmou o prefeito. Ele complementou que muitas famílias não conseguem pagar pelo item e que planos de saúde privados costumam não cobri-lo. “A partir de agora é um direito das crianças poderem ter esse sensor e assim melhorar muito a sua qualidade de vida”, declarou Nunes.

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Os familiares relataram o impacto da medida na rotina de cuidados. Roseli Alves dos Santos, mãe de Pedro Felipe, de 11 anos, explicou que o filho passava por até oito perfurações diárias. “Agora a vida vai mudar para melhor. Como ele vai fazer o monitoramento pelo sensor, evita a picada no dedo, que às vezes ele reclamava, sentia dor e chorava”, relatou. O próprio Pedro aprovou a mudança: “Só faz uma cosquinha para colocar, mas não dói. É muito melhor que as picadas. Eu ficava irritado porque doía, então gostei muito do sensor”.

Outros pais destacaram as dificuldades financeiras e o histórico de internações dos filhos. O motorista Diego Rocha, pai de Ana Laura, de 9 anos, ressaltou o alívio no orçamento familiar: “Não conseguiria arcar com o sensor. Já tentei, mas o orçamento não cabe no nosso bolso. Por isso foi muito importante a ajuda da Prefeitura”. Henrique Santos de Jesus, pai de Murilo, de 4 anos — que possui uma condição rara que gera hipoglicemia severa e já causou mais de 20 internações —, também celebrou o benefício. “No começo, a gente fazia a aferição no dedo dele e ele chorava muito. Esse sensor vai trazer uma outra qualidade de vida para ele e para a nossa família”, disse Henrique.

O sistema de monitoramento funciona de forma distinta por faixa etária. Pacientes de 2 a 9 anos recebem o sensor acompanhado de um aparelho leitor específico para checagem dos dados. Já as crianças de 10 a 12 anos conseguem conferir os resultados em tempo real, receber alertas e compartilhar os relatórios com os responsáveis por meio de um aplicativo instalado em smartphones. Para viabilizar a implementação da tecnologia e o suporte aos usuários, a Secretaria Municipal da Saúde realizou o treinamento de 511 profissionais de suas cinco Coordenadorias Regionais de Saúde.