A cidade de São Paulo registrou uma queda de 58,9% na gravidez entre adolescentes (10 a 19 anos) na última década. Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o número de nascidos vivos nessa faixa etária despencou de 20.373, em 2016, para 8.383 em 2025. O índice é ainda mais expressivo entre meninas de 10 a 14 anos, onde a redução foi de 60,4%.
Os resultados coincidem com a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, celebrada entre 1º e 8 de fevereiro. Para o secretário municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco, o avanço reflete uma abordagem que vai além da clínica. “Especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social, a gravidez na adolescência pode trazer impactos adicionais ao percurso educacional, profissional e ao projeto de vida dessas jovens”, destaca.
A estratégia da prefeitura baseia-se em três pilares principais:
Acesso a Métodos Contraceptivos: Oferta de implantes subdérmicos e DIUs (métodos de longa duração) nas 481 UBSs da capital. Somente em 2025, foram realizados mais de 38 mil implantes subdérmicos.
Educação Intersetorial: Por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), equipes de saúde levam informações diretamente às unidades de ensino para apoiar decisões responsáveis.
Acolhimento Humanizado: Equipes multiprofissionais (psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros) oferecem suporte físico e emocional para adolescentes e suas famílias.
Um exemplo de sucesso no território é a UBS Parque Araribá, no Campo Limpo (Zona Sul). A unidade implementou um grupo de planejamento familiar por livre demanda que atende cerca de 25 pessoas semanalmente. Em 2025, a unidade registrou a inserção de 416 implantes hormonais, fortalecendo a rede de proteção em uma área de alta vulnerabilidade social. Para as jovens que já estão gestantes, o programa Mãe Paulistana garante o acompanhamento integral, desde o pré-natal até os cuidados pós-parto e estímulo ao aleitamento.