Itália sofre falta de médicos e aposta em especialistas estrangeiros; emergência e geriatria estão entre as áreas mais procuradas

Envelhecimento da população e aposentadorias em massa ampliam demanda por médicos; brasileiros ganham espaço em especialidades estratégicas

THAISE GUIDINI
03/02/2026 09h38 - Atualizado há 1 mês

Itália sofre falta de médicos e aposta em especialistas estrangeiros; emergência e geriatria estão entre as
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A Itália enfrenta uma escassez crescente de médicos que já impacta o funcionamento do sistema público de saúde e pressiona hospitais privados. Com milhares de profissionais próximos da aposentadoria e uma população cada vez mais envelhecida, o país intensificou a busca por especialistas e passou a olhar com mais atenção para médicos formados fora da União Europeia, especialmente brasileiros.

Projeções de entidades médicas italianas indicam que a falta de profissionais deve se agravar ao longo dos próximos anos, sobretudo em áreas consideradas essenciais para o atendimento contínuo da população.


Quais especialidades a Itália mais busca hoje
A demanda não é homogênea e se concentra em especialidades ligadas à linha de frente do atendimento e ao cuidado com pacientes crônicos e idosos.

Entre as áreas mais procuradas estão:
- Medicina de emergência e pronto-socorro, devido à sobrecarga dos atendimentos e à dificuldade de manter equipes completas
- Geriatria, impulsionada pelo envelhecimento acelerado da população italiana
- Pediatria, especialmente fora dos grandes centros urbanos
- Anestesiologia, fundamental para cirurgias e unidades de terapia intensiva
- Psiquiatria, diante do aumento de transtornos mentais no pós-pandemia
- Medicina interna, base da assistência hospitalar no país

Essas especialidades concentram grande parte das vagas abertas tanto no sistema público quanto em hospitais conveniados.

Diferenças regionais pesam na contratação
A carência de médicos é mais acentuada em algumas regiões. O Norte da Itália, apesar de melhor estrutura hospitalar, enfrenta déficit em pronto-socorro e anestesia. Já o Sul e regiões do interior lidam com dificuldade crônica de atrair profissionais, especialmente pediatras, clínicos gerais e geriatras.

Nesses locais, médicos estrangeiros encontram mais oportunidades e processos de contratação mais rápidos, desde que atendam aos critérios exigidos.

Por que médicos brasileiros entram nesse radar
Segundo a médica brasileira Gabriela Rotili, que atua na Itália desde 2021 e hoje orienta profissionais interessados em seguir o mesmo caminho, a formação prática do médico brasileiro é um diferencial importante.

“O sistema italiano valoriza muito a experiência clínica. Médicos que já passaram por pronto-atendimento, enfermarias e hospitais de grande porte costumam se adaptar melhor, principalmente em áreas como emergência, geriatria e medicina interna”, afirma.

Ela explica que, além da especialidade, outros fatores pesam na seleção:
- Experiência comprovada na área
-  Conhecimento funcional do idioma italiano
- Disponibilidade para atuar em regiões com maior carência
- Interesse em contratos no sistema público

“A demanda existe, mas não é automática. O médico precisa estar preparado para o processo e para a realidade do trabalho”, diz.

A experiência de quem já começou a atuar
Formado no Brasil em 2021, o médico Lucas Camargo começou a atuar na Itália em 2023. Segundo ele, a necessidade de profissionais ficou evidente logo nos primeiros dias. “Eles estavam desesperados por médicos. Já na conversa inicial eles queriam que eu começasse já naquela hora”.

“Eu comecei a fazer muito mais medicina aqui na Itália do que no Brasil. Vejo que temos um grau de responsabilidade, não só com o paciente, mas com a direção do hospital, colegas médicos também. Além das consultas funcionaram de forma diferente do que no Brasil”, relata.

Oportunidade real, mas com planejamento
Apesar do cenário favorável, especialistas alertam que o caminho exige organização. O reconhecimento do diploma, o idioma e a adaptação ao sistema de saúde italiano continuam sendo etapas fundamentais.

“Para muitos médicos brasileiros, a Itália deixou de ser apenas uma possibilidade futura e passou a representar uma alternativa concreta de carreira”, complementa Gabriela.

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