No auge da crise de vistos, brasileiro prova que imigrantes podem injetar capital nos EUA

Enquanto Washington suspende processos de 75 países, incluindo o Brasil, trajetória de goiano que chegou indocumentado aos EUA atrai gigantes de Wall Street e gera divisas para a economia americana

Por Dione Alves
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Tiago Prado/Divulgação

A partir desta quarta-feira (21), o governo dos Estados Unidos coloca em vigor uma das medidas migratórias mais severas de sua história recente: a suspensão por tempo indeterminado de vistos de imigrante para cidadãos de 75 nações, incluindo o Brasil.
A justificativa do Departamento de Estado baseia-se em uma premissa contábil de que esses estrangeiros representam um "custo social inaceitável" e "extraem riqueza" dos americanos. No entanto, um movimento multibilionário ocorrido semanas antes em Wall Street sugere que o mercado financeiro enxerga o imigrante não como um passivo, mas como um ativo estratégico de alta rentabilidade.

O caso que simboliza esse choque de visões é o do empresário goiano Tiago Prado. Em novembro de 2025, ele concluiu a venda de sua corretora, a Breezy Seguros, para a Trucordia — um dos 20 maiores grupos de seguros dos EUA. A transação foi impulsionada por um aporte de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,5 bilhões) do The Carlyle Group, um dos maiores fundos de private equity do mundo.

O comunicado oficial de Washington, publicado na rede social X, afirma que o congelamento — que afeta categorias de residência permanente como EB-2 (profissionais qualificados) e K-1 (vistos de noivos) — durará até que se garanta que novos imigrantes "não extrairão riqueza do povo americano".

O argumento foca no uso de programas de assistência social. Contudo, analistas de mercado pontuam que trajetórias como a de Prado — que chegou aos EUA de forma irregular aos 14 anos, aprendeu inglês por conta própria e se formou em economia pela prestigiosa Tufts University — revelam o oposto: a criação de uma rede de proteção privada que, na prática, desonera o Estado.
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"O mercado não investe bilhões por caridade. Se o Carlyle colocou capital na operação que comprou a Breezy, é porque o imigrante é um cliente lucrativo e um gerador de impostos", afirma Tiago Prado. Sua empresa especializou-se em oferecer seguros para a comunidade latina, um setor que frequentemente supera o desempenho de nativos em taxas de empreendedorismo e consumo.
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A medida de Washington agora cria um "limbo" para milhares de brasileiros que, como Prado no passado, buscam a regularização para investir no país. Especialistas alertam que, ao tentar economizar com benefícios sociais, os EUA podem estar bloqueando a entrada do capital humano que sustenta gigantes de Wall Street.


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