São Paulo implementa UTI Neonatal Neurológica Digital para prevenir sequelas em recém-nascidos

Modelo pioneiro utiliza Inteligência Artificial e monitoramento contínuo em sete hospitais municipais; tecnologia já evitou medicações desnecessárias em 84% dos casos.

Por Redação-Itaquera em Notícias
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Imagem: Divulgação / SMS - Prefeitura de SP

A Prefeitura de São Paulo está implementando o modelo de UTI Neonatal Neurológica Digital (UTI Neon) em sete hospitais da rede municipal para combater a asfixia neonatal. A condição é a terceira causa de morte de recém-nascidos no mundo e o principal fator de lesões permanentes, como paralisia cerebral e deficiências cognitivas. Desenvolvido em parceria com a empresa de tecnologia PBSF, o projeto pioneiro foca na identificação precoce de danos cerebrais que ocorrem antes, durante ou logo após o parto.

Desde o início da implantação em maio de 2023, o programa já monitorou 1.889 bebês nas maternidades municipais. Os dados revelam que 12% dos recém-nascidos apresentaram crises neurológicas, sendo que 85% destas só foram detectadas graças ao monitoramento tecnológico. Além da precisão no diagnóstico, o novo modelo de assistência permitiu evitar o uso de medicações desnecessárias em 84% dos casos monitorados, otimizando o tratamento clínico e a segurança dos pacientes.

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O sistema incorpora tecnologias avançadas, como a hipotermia terapêutica — que consiste no resfriamento controlado do corpo do bebê para reduzir danos — e o uso de Inteligência Artificial para identificar convulsões imperceptíveis a olho nu. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), essa intervenção imediata no chamado "minuto de ouro" é decisiva para o desenvolvimento futuro da criança. Estimativas apontam ainda que o uso da solução pode reduzir em média 10 dias o tempo de internação por paciente.

Atualmente, o monitoramento está disponível em unidades estratégicas como os hospitais municipais Tide Setúbal (São Miguel Paulista), Waldomiro de Paula (Itaquera) e Alípio Corrêa Netto (Ermelino Matarazzo), abrangendo diferentes regiões da capital. Além dos equipamentos, as equipes multidisciplinares recebem treinamento especializado para operar o suporte neurológico 24 horas por dia. O objetivo é garantir que o atendimento de alta complexidade chegue às famílias que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para as famílias atendidas, como no caso da pequena Mariana, que nasceu com asfixia no Hospital Tide Setúbal, a tecnologia representa uma nova perspectiva de vida. Após passar pelo protocolo de hipotermia e monitoramento contínuo, a criança recebeu alta sem sequelas e hoje segue com desenvolvimento normal. Após a fase hospitalar, a rede municipal assegura a continuidade do cuidado por meio de acompanhamento em Centros Especializados em Reabilitação (CER), fechando o ciclo de assistência ao recém-nascido de risco.