SST e Sustentabilidade: o papel estratégico das empresas de Saúde e Segurança do Trabalho na era da COP30
Com a COP30 em Belém em andamento, o médico e especialista em Saúde Ocupacional Dr. Ricardo Pacheco destaca como as empresas de SST podem se tornar protagonistas da sustentabilidade corporativa, unindo prevenção, governança e adaptação climática
DA REDAçãO
14/11/2025 15h46 - Atualizado há 3 semanas
Ricardo Pacheco
SST e Sustentabilidade: o papel estratégico das empresas de Saúde e Segurança do Trabalho na era da COP30 Com a COP30 em Belém em andamento, o médico e especialista em Saúde Ocupacional Dr. Ricardo Pacheco destaca como as empresas de SST podem se tornar protagonistas da sustentabilidade corporativa, unindo prevenção, governança e adaptação climática Com o início da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém entre 10 e 21 de novembro, o mundo volta seus olhos para as soluções capazes de conciliar crescimento econômico, transição justa e proteção da saúde humana. Nesse contexto, um tema ainda pouco explorado ganha força: o papel das empresas de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) na agenda da sustentabilidade. Para o Dr. Ricardo Pacheco, médico do trabalho, mentor, palestrante e presidente da ABRESST – Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança, e referência em gestão de saúde ocupacional, a SST é uma das pontes mais sólidas entre o cuidado com as pessoas e a responsabilidade ambiental. “Quando falamos em sustentabilidade, muitos pensam apenas em carbono e energia limpa. Mas é impossível falar em futuro sustentável sem colocar o trabalhador no centro da estratégia. Cuidar das pessoas é o primeiro passo para cuidar do planeta”, afirma o especialista. COP30: o Brasil no centro da transição climática A COP30 marca um ponto decisivo na história das conferências climáticas: pela primeira vez, o Brasil sedia o encontro em uma cidade da Amazônia, uma das regiões mais simbólicas e vulneráveis do planeta. Com expectativa de participação de mais de 190 países, o evento discutirá metas de mitigação, adaptação e financiamento climático. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), em 2024 os investimentos globais em energia limpa ultrapassaram US$ 2 trilhões, enquanto as perdas econômicas associadas a desastres naturais somaram mais de US$ 250 bilhões. Esses números mostram que a transição climática não é apenas ambiental, mas também uma questão de gestão de risco corporativo e humano. “Os impactos das mudanças climáticas já estão dentro das empresas. O calor excessivo, as inundações, a poluição do ar e a disseminação de doenças respiratórias e infecciosas afetam diretamente a produtividade, os afastamentos e os custos trabalhistas”, ressalta o Dr. Pacheco. “É por isso que a área de SST precisa estar na mesa de decisões sobre ESG e clima”, enfatiza o médico. A crise climática como questão de saúde ocupacional Segundo o relatório Lancet Countdown on Health and Climate Change 2024, os efeitos do aquecimento global já comprometem a saúde pública e ocupacional em larga escala: o número de dias de exposição a calor extremo aumentou 80% desde 1986, e mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo vivem em áreas com risco crescente de doenças transmitidas por vetores devido ao desequilíbrio ambiental. O setor de saúde, por sua vez, responde por 5,2% das emissões globais de gases de efeito estufa, e suas emissões aumentaram 36% desde 2016. No Brasil, as perdas de produtividade relacionadas a doenças e afastamentos ligados ao estresse térmico e à poluição já somam bilhões de reais por ano, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT). “Estamos vivendo uma convergência entre crise climática e saúde do trabalhador. Isso significa que quem atua em SST não pode mais se limitar à prevenção de acidentes - é preciso compreender como o ambiente em transformação afeta o corpo, o comportamento e o desempenho humano”, observa o Dr. Ricardo Pacheco. SST como pilar de adaptação e governança climática Na prática, integrar SST à estratégia de sustentabilidade significa transformar a forma como as empresas monitoram, previnem e gerenciam riscos. O Dr. Pacheco explica que a prevenção agora precisa ser pensada também sob a ótica da resiliência climática. “Planos de prevenção contra ondas de calor, programas de hidratação, pausas térmicas, treinamentos sobre primeiros socorros em eventos extremos e reorganização de jornadas são medidas que protegem vidas e reduzem passivos trabalhistas. Isso é ESG aplicado à SST”, enfatiza. As ações, no entanto, não se limitam ao ambiente físico. A transição sustentável também envolve eficiência energética nas clínicas e ambulatórios, revisão da cadeia de suprimentos, digitalização de processos e inclusão de critérios de sustentabilidade na escolha de fornecedores e parceiros. “Um ambulatório que adota energia solar, reduz o consumo de água e otimiza o uso de transporte já está contribuindo para mitigar emissões. Cada pequeno ajuste operacional faz diferença quando olhamos em escala nacional”, acrescenta o especialista. Indicadores e métricas: o novo valor da prevenção A integração entre SST e ESG exige métricas concretas que permitam mensurar resultados. Entre os indicadores que já estão sendo utilizados internacionalmente estão o consumo energético por atendimento, emissões de CO₂ por unidade de serviço, número de protocolos climáticos implementados, taxa de afastamentos relacionados ao clima e retorno financeiro (ROI) de programas preventivos. “Hoje, a empresa que consegue provar que seu investimento em saúde e segurança reduziu afastamentos, acidentes e emissões, ganha competitividade e credibilidade com investidores, clientes e sociedade”, explica o Dr. Pacheco. “A prevenção deixou de ser custo para se tornar ativo estratégico.” Ele acrescenta que muitas organizações ainda tratam o tema de forma fragmentada - o que representa um risco. “Sustentabilidade sem saúde é discurso vazio. E saúde sem sustentabilidade é esforço limitado. O futuro é integrar as duas frentes com indicadores compartilhados e governança única.” SST, clima, o fator humano e os riscos psicossociais A elevação das temperaturas médias também amplia os riscos psicossociais. O calor extremo, aliado à insegurança alimentar, estresse financeiro e desastres ambientais, eleva os níveis de ansiedade e fadiga entre trabalhadores. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já reconhece a saúde mental como um dos novos desafios da crise climática. “Precisamos entender que sustentabilidade também é emocional. Um trabalhador exausto, com sono irregular e desidratação crônica não é apenas menos produtivo - ele está mais suscetível a acidentes, erros e doenças. E isso afeta toda a cadeia produtiva”, alerta o Dr. Pacheco. Por isso, ele defende que as empresas ampliem suas estratégias de saúde mental, incorporando treinamentos, apoio psicológico e monitoramento contínuo. “A adaptação climática começa nas pessoas. Uma empresa sustentável é aquela que protege seus trabalhadores física e emocionalmente.” Oportunidade para o Brasil e para o setor de SST Com a COP30 acontecendo em território brasileiro, há uma oportunidade inédita de o país se tornar referência na integração entre saúde, segurança e sustentabilidade. Para o Dr. Ricardo Pacheco, o momento é de liderança. “O Brasil pode mostrar ao mundo que sustentabilidade não se faz apenas com reflorestamento e energia limpa, mas com políticas sólidas de proteção ao trabalhador. Se unirmos conhecimento técnico e sensibilidade humana, seremos exemplo global.” Ele reforça que o setor de SST deve se posicionar como parceiro estratégico das empresas, ajudando a mapear riscos climáticos, definir metas de descarbonização operacionais e construir políticas de bem-estar duradouras. “Quem atua com SST tem nas mãos dados valiosos sobre saúde, produtividade e ambiente. Usar essas informações para antecipar riscos climáticos e propor soluções é uma das formas mais inteligentes de gerar valor e impacto positivo.” E conclui: “O futuro da SST será verde, digital e humano. E esse futuro começa agora!” Sobre o Dr. Ricardo Pacheco Dr. Ricardo Pacheco é médico do trabalho, gestor em saúde e empresário, formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos. Iniciou sua trajetória com foco na saúde ocupacional e, ao longo dos anos, expandiu sua atuação para a promoção da saúde integral. Em 2001, fundou sua primeira empresa de saúde, que posteriormente consolidando-se como uma plataforma de referência no setor. Desde 2002, integra a ABRESST (Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança do Trabalho), assumindo a Diretoria de Ética e Legislação em 2008. Nessa posição, foi ouvinte na Câmara Técnica de Medicina do Trabalho, representando a entidade, e desenvolveu projetos importantes, como a implantação do Selo de Qualidade ABRESST e o apoio direto à presidência. Em 2019, tornou-se presidente da entidade, cargo que ocupa pelo terceiro mandato consecutivo, expandindo significativamente o impacto da entidade, que hoje assiste mais de 4 milhões de trabalhadores. Dr. Ricardo teve papel essencial na revisão e criação de Normas Regulamentadoras (NRs), como o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) da NR-01, além da inclusão de riscos psicossociais nas normativas. Também participou da criação da NR-38, voltada à segurança dos trabalhadores na limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Durante a pandemia da covid-19, liderou protocolos de segurança para grandes produções audiovisuais e promoveu eventos online pela ABRESST, orientando empresas e trabalhadores sobre boas práticas em SST. Ativamente presente nos principais congressos do setor, foi um dos responsáveis pela retomada da 25ª edição do COBRASEMT, um dos mais importantes eventos da área. Recentemente, participou do G20 no Brasil, abordando questões como estresse térmico e saúde ocupacional. Reconhecido por sua expertise, colabora com entidades como ANAMT e ABERGO e frequentemente participa de veículos de comunicação para divulgar temas relacionados à saúde e segurança do trabalho. Seu compromisso com inovação e resultados faz dele um dos grandes nomes da saúde ocupacional no Brasil. Dr. Ricardo Pacheco, CRM-SP 87570 I RQE 22.683. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
SANDRA MARIA DA CUNHA
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FONTE: Ricardo Pacheco, médico, gestor em saúde, palestrante, mentor e presidente da ABRESST.