21/07/2022 às 09h50min - Atualizada em 21/07/2022 às 20h21min

“De volta ao mapa da fome”: 33,1 milhões de brasileiros não conseguem se alimentar

Falta de políticas públicas contribuem para o endividamento das famílias e para a falta de acesso aos alimentos

SALA DA NOTÍCIA Redação

A pesquisa realizada pela Pensann (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), em parceria com algumas entidades e ONGs, demonstrou que o Brasil tem, atualmente, 33,1 milhões de pessoas vivendo em situação de insegurança alimentar grave, onde há redução quantitativa de alimentos na família. 

A pesquisa chocou o país e evidenciou a situação que grande parte da população brasileira vive no momento. Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o salário mínimo ideal no Brasil, em abril, deveria ser de R $6.754,33, valor suficiente para manter uma família de quatro pessoas com moradia, alimentação, transporte, vestuário, saúde, lazer, educação, higiene e previdência. 

O departamento também divulgou os valores da cesta básica no Brasil, em maio. São Paulo é a capital com a cesta básica mais cara, custando R $777,93. A capital com o menor preço é a de Aracaju custando R $548,38. Assim, para uma família se manter na capital paulista, por exemplo, é preciso desembolsar mais da metade de um salário mínimo, que atualmente é de R $1.212. A economista e CEO da NoFront - Empoderamento Financeiro, Gabriela Chaves, lembra que muitas dessas famílias vivem em situação de subemprego. 

“Existe uma grande quantidade de pessoas que não conseguem trabalho digno, por isso, elas se dedicam a trabalhos precarizados. O que observamos é que esses trabalhos precarizados não alcançam nem o mínimo de renda que essas pessoas precisam para sobreviver. Quantas pessoas que estão nesses postos precarizados conseguem atingir hoje a renda de salário proposta pelo Dieese?”, argumenta Gaby. 

 

Falta de políticas públicas e o endividamento das famílias brasileiras

O Brasil é um dos principais produtores e exportadores de alimentos do mundo, o país não passa por problemas de abastecimento, ou seja, ele não depende da importação dos alimentos porque nós mesmos já produzimos. “O problema no Brasil não está na produção e sim na distribuição”, afirma Gaby. 

Com o dólar elevado, a produção de alimentos é priorizada para exportação e a falta de estoque acarreta na redução dos alimentos disponíveis no mercado interno, no aumento dos preços e no aumento da fome. Além disso, este cenário contribui para a deterioração das condições de trabalho e de vida da maior parte da população que acaba se endividando para conseguir sobreviver. Nesses casos, muitas famílias recorrem ao uso do cartão de crédito e ao cheque especial, que são modalidades mais disponíveis para essa população, mas também mais caras. 

“As famílias comprometem a renda futura com o uso do cartão de crédito e cria o efeito bola de neve. Usam o cartão para compra de alimentos, gastam todo o salário para pagar o cartão, depois ficam sem dinheiro e precisam usar o cartão novamente para fazer as coisas mais básicas”, afirma a economista. 

Segundo o levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em abril deste ano, 77,7% das famílias brasileiras encerraram o mês com alguma dívida. A pesquisa também revelou que endividamento no cartão de crédito é a modalidade mais comum de dívida dos consumidores, representando 88,8% das famílias. 

Para minimizar os danos, durante a pandemia, houve a criação de algumas políticas para ajudar as famílias, como o auxílio emergencial, que contou com parcelas de até $600 dependendo do contexto familiar. Valor insuficiente para manter uma família, já que segundo o Dieese, entre dezembro de 2020 e dezembro de 2021,  o valor da cesta básica em São Paulo foi de  R $690,51, por exemplo. 

Em 2022, o programa do Bolsa Família foi extinto, segundo um estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que analisou dados de 2001 a 2017, o programa contribuiu para a redução da pobreza em 15% e da extrema pobreza em 25%. No lugar do Bolsa Família foi criado o Auxilio Brasil.  

Com o cenário incerto por conta das eleições e um teto de gastos públicos que não prioriza a ampliação de políticas sociais, a solução para a situação da fome no Brasil fica mais difícil de ser solucionada.


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