20/07/2022 às 13h49min - Atualizada em 20/07/2022 às 18h36min

Ouvindo Vozes: da Marginalização à Loucura segue com apresentações grátis em agosto

SALA DA NOTÍCIA Eliane Verbena
https://verbenacomunicacao.blogspot.com/2022/07/ouvindo-vozes-da-marginalizacao-loucura.html
Foto de Marta Baião
Com encenação e direção de Marta Baião, o espetáculo Ouvindo Vozes: da Marginalização à Loucura é uma montagem da Pião Produções Artísticas, livremente inspirada no livro Ouvindo Vozes, de Edmar Oliveira, com dramaturgia assinada por Cynthia Regina. Iniciadas em junho, as apresentações (gratuitas) ocorrem em espaços públicos não convencionais, frequentados ou a serviço da comunidade, na zona leste de São Paulo. Em agosto as seções são na E. E. Prof. Aroldo de Azevedo (3 e 4/8, quarta e quinta, às 20h) e SASF Iguatemi II (10/8, quarta, às 20h).

A temporada é acompanhada por rodas de conversa sobre Saúde Mental na Periferia com participação de Cristina Melo (psicóloga e arteterapeuta), de Monica Soares (arteterapeuta), da diretora e do elenco, além de sessões com tradução em Libras, por Mile Silva (da LibrArte). Este projeto foi viabilizado pelo Programa VAI - Programa para Valorização de Iniciativas Culturais, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Pelo viés do teatro épico performativo, a montagem traz a história de três clientes, como eram chamadas as pessoas em tratamento no Instituto Nise da Silveira, no Engenho de Dentro (RJ), que descobriram vida na loucura em um lugar marcado pelas ideias da médica psiquiatra, uma revolucionária no tratamento mental pela arteterapaia que garantiu àqueles(as) com ‘manias de liberdade’, as saídas de suas profundezas para o encontro com a vida.  Os atores Everton Santos, Juliana Morelli e Rogério Nascimento fazem releituras das histórias, não comprometidos com o normal ou anormal, mas com a desconstrução da ideia de loucura.

O livro Ouvindo Vozes aborda o processo de reestruturação do Instituto por meio da história de pessoas em tratamento com diagnóstico de esquizofrenia, privadas de acesso aos direitos básicos de sobrevivência. O enredo da peça explora a realidade exposta no livro e as vivências dos(as) artistas periféricos(as) participantes desta produção, alinhavadas por suas memórias frente à realidade sobre a saúde mental em seus territórios: os Distritos de Iguatemi e Sapopemba, em São Paulo.

Everton Santos traz para a cena a história de um jovem, o mais velho de três irmãos. Por ser fruto de uma relação extraconjugal da mãe com um político, vivia trancado, afastado do convívio social. Ele é internado como louco quando, em um acesso de raiva, ele rasga o vestido de noiva de sua irmã ao descobrir que ela iria se casar sem a sua presença. Rogério Nascimento vive um jovem sonhador, predestinado para passar 20 anos no hospital do Engenho de Dentro, apenas por ser uma pessoa sem controle emocional. Quando alcança o direito de ir para uma casa acolhedora, ele busca conhecer o mundo, busca a liberdade que lhe foi tolhida. Juliana Morelli interpreta uma moça com problemas psiquiátricos que, ao ser internada, conta com a surpreendente adesão das duas irmãs, que decidem se internar junto com a irmã para ficarem juntas.

Segundo a diretora, os elementos cênicos (atuação, cenário, figurino e música) dialogam pela simbologia metafórica. A cenografia concebida por ela sugere o aprisionamento em espaços delimitados que se interligam por estruturas altas e vazadas, situando a prisão individual das personagens, bem como as possibilidades de libertação com portas e saídas. A cor branca e transparências predominam nas estruturas e nas cortinas, representando a tênue linha entre a sanidade e a loucura, e também ganham a conotação de telas/mandalas que serão pintadas pelo público antes das sessões, numa referência à arteterapia de Nise da Silveira. Projeções em video mapping - com imagens referentes ao trabalho da Dra. Nise e encenação de métodos físicos de tratamento - potencializam a abordagem e fazem o público pensar. Técnicas de teatro de sombras são usadas para representar a possibilidade de morte. Os figurinos (de Marta Baião) carregam simbologias do universo das personagens; trazem alegorias que reportam à busca pela libertação desses corpos. E a trilha sonora original, de Eduluz, conta com músicas que assumem funções dramatúrgicas na encenação, compostas pelos próprios atores.

FICHA TÉCNICA – Livremente inspirado no livro Ouvindo Vozes, de Edmar Oliveira. Dramaturgia: Cynthia Regina em processo criativo da Pião Produções Artísticas. Direção/encenação: Marta Baião. Elenco: Everton Santos, Juliana Morelli e Rogério Nascimento. Concepção de cenário e figurino: Marta Baião. Execução/cenário: Daíse Neves. Execução/figurino: Isa Santos. Iluminação e operação de luz: Decio Filho. Trilha sonora original, projeção e operação de som: Eduluz. Músicas: Rogério Nascimento, Juliana Morelli e Everton Santos. Coreografia: Drama Extreme. Voz de Nise da Silveira: Leila Silva Gomes. Voz em off: Edmar Oliveira. Arteterapeutas: Cristina Melo e Monica Soares. Psicóloga mediadora: Cristina Melo. Tradutora intérprete de Libras: Mile Silva (LibrArte). Identidade visual: Renan Preto. Fotos/divulgação: Marta Baião. Social media: Rosana Cardoso. Filmagem: Lado Sujo da Frequência. Produção executiva: Michele Araújo e Everton Santos. Idealização e produção geral: Pião Produções Artísticas. Realização: Prefeitura Municipal de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, por meio do Programa VAI - Programa para Valorização de Iniciativas Culturais.

Espetáculo: Ouvindo Vozes: da Marginalização à Loucura
Com: Pião Produções Artísticas
Grátis. Duração: 60 min. Gênero: Drama. Classificação: 16 anos.
Nas redes: Fabebook/@ piaoproducoesartisticas | Instagram/pião_producoes

3 de agosto. Quarta, às 20h - E. E. Prof. Aroldo de Azevedo
Rua Filipa Álvares, s/n - Jardim Planalto / Sapopemba. SP/SP.
Roda de conversa: Saúde Mental na Periferia - com Cristina Melo e Monica Soares.
Tradutora intérprete de Libras: Mile Silva (LibrArte)

4 de agosto. Quinta, às 20h - E. E. Prof. Aroldo de Azevedo
Rua Filipa Álvares, s/n - Jardim Planalto / Sapopemba. SP/SP.
Roda de conversa: Saúde Mental na Periferia - com elenco e encenadora Marta Baião.

10 de agosto. Quarta, às 20h - SASF Iguatemi II – Serviço de Assistência Social à Família
Rua João Crispiniano Soares, 98 - Parque Boa Esperança - SP/SP
Roda de conversa: Saúde Mental na Periferia - com Cristina Melo e Monica Soares.
Tradutora intérprete de Libras: Mile Silva (LibrArte).

 
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