14/07/2022 às 15h29min - Atualizada em 14/07/2022 às 16h30min

Aldeia de Arcozelo, em Paty do Alferes (RJ), ganha mais um espaço que visa preservar o legado histórico e cultural da região

Aproximadamente 16,4 mil m² serão destinados para a instalação de um complexo educacional, com foco nas áreas de turismo, meio ambiente, economia criativa e cultura

SALA DA NOTÍCIA CCOM Funarte
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Divulgação/CCOM Funarte
Neste mês de julho, a Aldeia de Arcozelo, em Paty do Alferes (RJ), deu mais um passo rumo à recuperação total do seu Complexo. O Termo de Cessão e Permissão de Uso, firmado entre a Fundação Nacional de Artes e o Município de Paty, dá continuidade às ações de captação e aplicação de recursos públicos, bem como a possibilidade de firmar parceria com instituições privadas. Aproximadamente 16,4 mil metros quadrados serão destinados para a construção do espaço que visa preservar o legado histórico e cultural do local, inaugurado em 1965, pelo ator Paschoal Carlos Magno (1906-1980).
O novo espaço vai englobar a instalação de um complexo educacional e cultural integrante da Rede Municipal de Ensino, com ênfase na manutenção da história do local e de seu criador. O termo inclui: revitalização das instalações, respeitando as condições estéticas originais; instalação de um estabelecimento de ensino fundamental; criação de salas na modalidade contraturno; apresentação de mostras educacionais ou culturais itinerantes ou permanentes, além da preparação da infraestrutura local com banheiros, refeitório e acessibilidade. No acordo de uso do espaço, consta uma vigência de 20 anos, podendo ser prorrogável por até igual período, caso necessário.
Já o plano de produção integra eventos e programas voltados para o turismo, meio ambiente, economia criativa, educação e cultura. Estão previstos projetos de ações permanentes, como oficinas e cursos voltados para essas áreas já citadas; bem como projetos anuais, como por exemplo, festivais de teatro, dança e música. O Complexo Cultural Aldeia de Arcozelo também pretende receber propostas de artistas e instituições locais, nacionais ou internacionais, para ocupação de seus espaços, por meio de seleção.
Desde agosto de 2021, a Aldeia de Arcozelo, que faz parte dos equipamentos culturais da Funarte, vem recebendo uma atenção especial em relação à sua conservação e restauração, após o recebimento do documento de Registro Geral de Imóvel (RGI), esperado há mais de 20 anos. Com isso, a Fundação também já assinou um Termo de Cooperação Técnica, em março deste ano, que culminou com a restauração do Coreto e da Capela de São Francisco de Assis. Resultado das primeiras ações da Funarte depois de receber o RGI.

Sobre a Aldeia de Arcozelo



A Aldeia de Arcozelo foi inaugurada pelo ator Paschoal Carlos Magno (1906-1980), no ano de 1965, em Paty do Alferes, no Rio de Janeiro. Com uma área total de 51 mil metros quadrados, a antiga Fazenda Freguesia, fundada em 1730, é considerada o maior complexo cultural da América do Sul.
O espaço abriga dois grandes teatros: o Teatro Itália Fausta, com capacidade para 1.200 pessoas, e o Teatro Renato Vianna, com capacidade para 240 pessoas. O complexo ainda dispõe de uma sala para récitas musicais, com capacidade para 240 pessoas; uma sala de vídeo com capacidade para 80 pessoas; duas galerias de arte; e uma biblioteca, com cerca de 5 mil livros.
O centro cultural também foi cenário de um evento histórico. Em 1838, Manoel Congo (falecido em 1839) liderou uma revolta de escravos na fazenda. A ação ficou conhecida como a Revolta de Paty do Alferes, mantendo viva a memória da luta pela liberdade.

Paschoal Carlos Magno, Aldeia de Arcozelo e Funarte, uma história de respeito às artes



Paschoal Carlos Magno (1906-1980) era animador, ator, produtor, crítico, autor e diretor. Personalidade fundamental na dinamização e renovação da cena teatral brasileira, o artista fundou o Teatro do Estudante do Brasil, o Teatro Duse e a Aldeia de Arcozelo.
Em 1958, após uma visita à antiga Fazenda da Freguesia (desativada e em ruínas), a convite dos proprietários, Paschoal teve a ideia de fazer daquele lugar um centro cultural que fosse modelo para o Brasil e o mundo.
Os netos de João Pinheiro, donos do local, aprovaram o projeto e fizeram a doação da fazenda, com a condição de que ela fosse utilizada unicamente como espaço para atividades culturais. Sem perder tempo, Paschoal reuniu-se com artistas, escritores e jornalistas para a criação da Fundação João Pinheiro Filho ou, como ficou mais conhecida, Aldeia de Arcozelo, em 1965.
Com a morte de Paschoal, que viveu os últimos anos de vida no local, os herdeiros do artista chegaram a entendimentos finais para entrega da Aldeia de Arcozelo à Secretaria de Cultura do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Hoje, a Aldeia é um dos espaços culturais da Funarte. O acervo de Arcozelo, com mais de 30 mil documentos, foi doado para o Centro de Documentação e Pesquisa (Cedoc) da instituição, no final da década de 1990.
 
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