Cracolândia - efeito sanfona e o pega-pega midiático

A abordagem que acompanhamos pela mídia referente ao assunto da Cracolândia não nos parece estar sob a ótica correta. Praticamente todas as posições da mídia são correlacionadas ao movimento sanfona, se assim podemos dizer, da mobilidade dos usuários após as tentativas de eliminá-los do meio das ruas. Contudo, o assunto não pode ser tratado como uma mera poluição visual, ou limpeza urbana, como tratamos nos casos do Cidade Limpa da época do Kassab, ou da mobilidade da gestão Haddad. O assunto agora merece mais respeito e a reflexão precisa ser mais profunda. A triste situação dessas pessoas de rua precisa ser discutida pelas suas causas. Primeiro, se 3 mil pessoas consomem crack diariamente, é porque a droga é produzida em quantidade extraordinária e trazida para essas pessoas com extrema eficiência na entrega, muito melhor que o serviço do correio, o que prova que o crime mais uma vez está à frente da máquina pública. Segundo, retirar as pessoas do meio da rua é necessário, ainda que outras transitem do centro para as periferias e vice-versa, o fato primordial não é onde elas estão, mas que elas existem! Terceiro, se o tráfico de drogas ou mesmo a revelação de onde essas drogas são produzidas forem realmente combatidos, a diminuição de usuários passa a ser uma questão apenas de tempo. Contudo, a cobertura midiática tem sido espalhafatosa e medonha no ponto de vista humano, sendo politiqueira, que apenas faz dessa importante pauta, uma caça às bruxas contra o prefeito Doria, como se fosse ele culpado por determinados usuários saírem de um bairro e se deslocarem a outro, às vezes, apenas quarteirões. O que esperam os comentaristas de plantão? Que se tirem o direito de ir e vir dos usuários que já estão nas ruas? Ou pior, que a preocupação de quanto esses usuários seja considerada uma questão de poluição visual? A mídia, por muitas vezes, só sabe tumultuar e agradar corneteiros.

*Oh! O nome da delação é “premiada”
*Pelo mundo afora
*“Faça Seu Bairro Lindo” é para valer!
*O povo precisa, mas o Plano de Saúde Popular é complexo demais