GUALTAR - O ABSURDO DOS ABSURDOS DA PMSP Falta de ligação viária isola bairros do Aricanduva

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Há mais de 20 anos moradores de vários bairros do distrito de Cidade Líder, em Itaquera, mais precisamente no Vale do Aricanduva em torno do maior shopping da América Latina, solicitam junto à Prefeitura a ligação da Avenida Gualtar com a Avenida Aricanduva. Até 2003, a via em questão servia de passagem provisória dos pedestres que aguardavam a sua pavimentação. Com a construção do CEU Aricanduva dividida em dois blocos na gestão de Marta Suplicy – PT (2001-2004) a área reservada para o prolongamento da avenida foi incorporada e se transformou em estacionamento dos seus funcionários, barrando a antiga reivindicação dos moradores do local, (Jardins: Sta. Terezinha, Marília, Ipanema, Brasília, Eliane, Vila Bandeirantes e Parque Savoy City) cerca de 200 mil moradores  que vivem isolados. Para chegar ou deixar às residências, os moradores são obrigados a acessar a sobrecarregada  Avenida dos Latinos ou a Avenida Francesco Melzi. Estas vias registram grandes congestionamentos por ser o acesso principal dos clientes do Shopping Aricanduva, além de única opção para os alunos de uma universidade ali estabelecida. A importância estratégica dessa via pública para a melhoria do tráfego na região é tal que, no começo da década de 90, a Prefeitura implantou um pontilhão sobre o Rio Aricanduva, custeada pelo empreendimento Savoy.  Essa ponte serviria para escoar parte do trânsito da futura Avenida Gualtar, acessando a pista sentido bairro da Avenida Aricanduva. Desde a construção do CEU em 2003 pela Prefeitura  que edificou a creche numa lateral da projetada Avenida Gualtar e outro prédio do lado oposto, moradores já realizaram diversas reuniões com órgãos da Prefeitura tentando chegar num acordo. Um abaixo-assinado com mais de 4 mil adesões também engrossa a antiga reivindicação. Durante a gestão Kassab, através de entidades sociais da região: Sociedade Amigos Santa Terezinha, Sociedade Amigos do Jardim Marília, Associação Amigos da Vila Bandeirantes, CONSEG do 66º DP., Associação dos Moradores do Parque Savoy City e Obras Sociais Padre Cícero Romão da Paróquia Sta. Terezinha, a reivindicação foi recebida pelas Secretarias de Educação e de Participação e Parceria, que se comprometeram a estudar uma saída, mas, a ligação viária ficou na promessa. Até mesmo uma Ação Civil Pública foi impetrada por entidades da região, cujos procedimentos  jurídicos  estão em andamento. Mas, pelo que tudo indica, a solução do problema Gualtar está chegando ao fim, pois, recentemente chegou ao conhecimento da comunidade que o “grande vilão da história” é o secretário da Educação Alexandre Schneider, que não quer permitir a construção da passarela unindo as duas unidades do CEU Aricanduva. A notícia veio à público pelas declarações que fez o coordenador das Prefeituras Regionais  e vice–prefeito Bruno Covas ao diretor deste periódico, J.C. Gutierrez, entre outros ouvintes.
IMPASSE NAS PROPOSTAS
Por ser parte de contrapartida na ampliação de suas instalações, o Shopping Aricanduva recebeu a incumbência de custear essa ligação. Duas propostas estão em pauta: um novo traçado contornando a Biblioteca Milton Santos, na qual não está sendo aceita pela população, pois,  desemboca na congestionada entrada do shopping e outra, a construção de uma passarela de pedestres exclusiva para os alunos e frequentadores do CEU, reabrindo com isso a ligação, o que é plenamente preferida pelo povo. Essa proposta, porém, com o apoio do secretário de Educação, Alexandre Schneider, sofre resistência da direção e dos professores do CEU que não querem perder a mordomia do estacionamento. Enquanto o impasse persiste, 200 mil moradores continuam a sofrer nas atuais vias congestionadas que dificultam o acesso de veículos como:  ambulâncias, viaturas policiais e vans escolares. Outras entidades representativas dos moradores da região participam da luta e fazem coro à reivindicação. “Há mais de 20 anos, quando compramos os terrenos para a construção das nossas moradias já constava no loteamento oficial do bairro, a ligação da Avenida Gualtar com a Avenida Aricanduva”, revela a presidente da Sociedade Amigos do Jardim Santa Terezinha, Irene Floripes de Souza. “Sem dúvida, o prolongamento da avenida facilitará em muito a vida e a mobilidade dos 200 mil moradores da região e, acreditamos que o prefeito João Doria irá realizar o nosso sonho”, finalizou. Este periódico há mais de dez anos tem dado apoio à luta das lideranças, participando e divulgando as  reuniões, tomando conhecimento “in loco” dos problemas que afligem os moradores dos bairros “enclausurados”.

“Não dá para entender como pode uma comunidade ficar isolada! Aliás, nós estamos para ir pessoalmente conversar com o secretário de Educação, o Alexandre Schneider que é meu amigo, para demovê-lo da ideia de “ proibir a construção da passarela de acesso aprovada já no governo de Marta Suplicy “. Como pode Ele impedir uma comunidade de seus benefícios, seus direitos de “ ir e vir”? .Já devia ter acontecido essa obra. Entendo a importância do CEU no aspecto educacional, cultural e esportivo para as crianças e os jovens, porém, a comunidade é muito mais importante! “
Padre Rosalvino Moran Vinãyo  - Obra Social Dom Bosco 

 

“Tem dias, pela manhã, que o congestionamento do trânsito da Avenida dos Latinos chega até o campo, aqui no alto do morro. Está insuportável  para os moradores, todos reclamam há mais de 10 anos desse problema de “ir e vir”. Todo o povo conhece o “Caso Gualtar” e, o mais curioso é que, o projeto aprovado da passarela cuja maquete ficou exposta no shopping um montão de tempo, ficou “ pras calendas gregas”. Eu acho que se construí-la o problema será resolvido e acreditem, o prefeito João Dória vai realizar esse sonho dos 200 mil moradores da nossa comunidade.
Paulo Galdino de Araujo
Presidente da União do Morro do Santa Terezinha

A deturpação do projeto da Avenida Gualtar, enclausurando os cerca de 200 mil moradores da região do Aricanduva, é consequência de uma coisa muito comum na administração pública: falta de planejamento. Fazer as coisas de uma forma apressada para mostrar serviços com obras pré eleitorais. Isso aí devia ser feito de uma forma junto com a população que é a maior interessada nisso e, se fosse assim, isso não aconteceria. Para resolver, hoje só funciona mesmo a pressão. Eu acho que hoje os moradores do Jardim Santa Terezinha e dos demais bairros tem que procurar as autoridades responsáveis pelo setor: a Subprefeitura, a Secretaria Municipal da Educação, a Prefeitura Regional e tentar uma solução para resolver a situação.
Avanir Duran Galhardo
ex-vereador e presidente da Campanha Financeira da ACM - Itaquera

“Não vejo razões, o porque do impedimento da obra da passarela sobre a avenida unindo as duas unidades do CEU. Pelo que eu sei, não vai haver custos para as obras, não será verba do erário municipal, afinal, quem custeará as obras será o shopping Aricanduva. O que vejo é a tradicional “ciumeira” política, que só trava e atrasa o progresso do nosso país.”
Francisco Roldan Pereira - Presidente da ACEMI –Associação dos Comerciantes,  Empresários e Moradores de Itaquera

“Na minha opinião, acho que as autoridades competentes já deveriam ter liberado o início das obras das passarelas, atendendo as aspirações de uma maioria da comunidade que estão prejudicadas, e não de uma minoria que somente visa se locupletar no uso do espaço público como estacionamento.”
Adão Sanches - Presidente da ACM-Itaquera

“Caso avenida Gualtar? É um absurdo que a Prefeitura tem que tomar providências urgentes para resolver este problema, causado por erros administrativos de gestões anteriores  prejudiciais aos munícipes! A PMSP e a gestão João Dória tem a obrigação de reparar o erro.”
Eudécio Teixeira 
Presidente da OAB-Ordem dos Advogados do Brasil- Itaquera

“Quando estavam terminando a obra foi que nos demos conta que tinham alterado o projeto original e tentamos impedir a inauguração. Na época nem a Secretaria da Educação tinha conhecimento da mudança, mas a pressa da inauguração por motivos eleitoreiros venceu. Porém, com a queda do PT e da prefeita Marta Suplicy, levamos abaixo assinados para todas as Secretarias e, acho mesmo, é que o atual prefeito, João Dória não sabe da real situação e do erro de sua antecessora, construir um CEU sobre a Avenida Gualtar, provocando uma visão por detrás desse equipamento público uma região desolada, suja, cheia de buracos e de mato. Uma perfeita visão dantesca!!! A solução é fácil: ter sensibilidade para aliviar os problemas de cerca de 300 mil habitantes que sofrem desesperados, querendo ter a sua via de saída para a liberdade, ter o direito de ir e vir para onde quiserem através do projeto original, como a maquete que ficou exposta no shopping por muito tempo para a população avaliar”.
Irene Floripes de Souza
Presidente da Sociedade Amigos Jardim Santa Terezinha

“O que houve nessa Avenida Gualtar foi um erro muito grave, uma mudança no projeto original que acabou transformando-se, ainda na gestão da Marta Suplicy, em estacionamento do CEU Aricanduva. O que a gente queria era utilizar a Gualtar para termos a saída para a Aricanduva e desafogar a Avenida dos Latinos que está sobrecarregada. Quem não vem pela Latinos, está passando por um atalho de terra que está desbarrancando e vai bloquear o que resta de um trecho asfaltado da Gualtar atrás do CEU. Os moradores precisam dessa avenida e as autoridades têm de corrigir este erro que causa muitos problemas para a população local. Portanto, esperemos que o prefeito João Dória nos atenda!”
Walter Roberto Pugliese Baraglio
​Diretor do CONSEG do 66º DP

“A Avenida Gualtar é um problema antigo e tem gerado prejuízos ao povo! Vários governos prometeram uma solução e ninguém até hoje resolveu. Ela é localizada em uma área prejudicada de várias formas pela influência de fatores geológicos e das intempéries, como as chuvas que tivemos agora, a própria infra-estrutura do leito carroçável foi prejudicada a ponto das águas corroerem parte do asfalto e, estou prevendo, um prejuízo maior se voltarem as chuvas. Seria bom o prefeito João Dória e  as autoridades tomarem uma providência agora, fazer a obra conforme foi projetada, com duas pistas e a passarela, trazendo benefícios para todos, principalmente a melhoria do sistema viário local”. 
Padre Javier Alvares 
Obras Sociais Padre Cícero Romão da Paróquia Sta. Terezinha

“O caso da Avenida Gualtar é público e notório! Uma grande confusão, o que está ocorrendo em toda essa situação não tem outra coisa e percebe-se que como sempre, é falta de planejamento por parte dos Orgãos Públicos! È isso aí! Eu vou mais além, pois eu acho que a população, os munícipes da região tem que realmente fazer valer os seus direitos. Se assim não o fizermos e não reivindicarmos, a coisa vai continuar por mais um punhado de tempo como sempre acontece!  A falta de planejamento, a falta de estrutura e a falta de bom senso de nossos dirigentes, trouxeram essa situação humilhante e, se vocês não se mexerem,  ficarão ai encurralados pelo resto da vida”.
Silvio José Gonçalves
ex-Presidente da Loja Maçônica “Alvorada de Guaianazes”

“Um absurdo que deixa a gente indignada, revoltada. Era o nosso sonho! Quando vimos o início da construção do CEU, uma acertada escolha de prioridades nas áreas periféricas mais carente tinha espaço para sua construção sem fechar a Avenida Gualtar! Está ai! O CEU Aricanduva é uma beleza e está servindo a população carente em uma região carente. Está ai, mas tirou o acesso da população para sair de seus bairros, sem ter acesso, isolada no fundão da região. A gente era do Conselho Gestor do CEU e acompanhamos de perto a sua construção sempre contestando os erros, mas, não deram ouvidos. Eu pergunto: por que não seguiram o projeto original mostrado na maquete? Infelizmente foi o descaso da Prefeitura que não leva em consideração o trabalho e as reivindicações da comunidade. Espero que o prefeito  Dória corrija esse erro do governo  passado”.
Aurelita Araujo Adamaceno  
Vice-Presidente - Associação dos Moradores do Parque Savoy City