A bicicleta

*J.C.Gutierrez

Não existe, hoje, coisa mais badalada, mais comentada e mais utilizada de um meio de transporte  que possa inibir o sucesso da bicicleta. São Paulo, que há pouco mais de quatro anos, no governo de Fernando Haddad, foi o início da utilização das “bikes”, como carinhosamente denominam as bicicletas, incentivados pelas construções das ciclovias, hoje, denominadas ciclofaixas pela gestão Dória, continuam sendo construídas e consequentemente aumentando o número de usuários que utilizam as bikes como meio de transportes para ir e vir do trabalho, com isso contribuindo para o bem estar e a saúde de toda uma população por várias razões: a diminuição da poluição; a melhoria do trânsito (congestionamentos); benefícios a saúde (exercícios), etc. Existem vários e uma quantidade incontável de modelos de bikes como as esportivas, de passeio, femininas, breques nos pedais, desmontáveis etc., de várias cores e tamanhos. Também tornaram-se as bikes bons elementos de marketing, com algumas empresas instalando em pontos estratégicos por toda a cidade de “estações de bikes”, onde o utilitário pode se apropriar de sua bike, utilizá-la e deixá-la na outra estação onde lhe convier, obviamente terá que se cadastrar na empresa patrocinadora e levar a sua bandeira publicitária, que está na bike devidamente “envelopada” com a logomarca e cores da empresa. Hoje existem os grupos, turmas organizadas de ciclistas que utilizam as ciclosfaixas  após o trabalho, nos domingos e feriados programam longos passeios pela cidade e até intermunicipais. Um dos mais atuantes da Capital, o “Pedala Itaquera” faz excursões organizadas até a cidade litorânea de Santos e Bertioga. Faz encontros com outros grupos organizados e já pensam em promoverem gincanas beneficentes em prol de famílias carentes, declarou seu presidente Sérgio Teles. Embora o movimento ciclista esteja por aqui em franco desenvolvimento, poucos sabem que as bicicletas foram inventadas há pouco mais de 200 anos, essa máquina eficiente em economia energética (não usa combustível), em velocidade (até 70 km/h), valor monetário aquisitivo (custo bem menor que um veículo popular)  e comprovadamente o meio de transporte mais ecológico do planeta, poucos sabem de sua origem e que seu invento foi fruto da necessidade, para suprir os efeitos de uma catástrofe ocorrida no ano de 1815, quando na Indonésia o vulcão “Tambora” entrou em erupção por vários meses expelindo incalculável quantidade de matéria a mais de 4.500 metros de altitude e derramando sobre seu sopé, pedras, lava, fogo, lançou na atmosfera milhões de toneladas de pó e cinzas. Foi a maior  erupção vulcânica que se tem notícias que aconteceu no planeta, quando a matéria vulcânica suspensa na atmosfera (pó e cinzas) velaram os raios de sol por vários anos e seus piores efeitos ocorreu no ano seguinte, pois, no hemisfério Norte não houve verão e, no mês de julho de 1816,  a Europa foi surpreendida por fortes nevascas que impediram a colheita e o plantio, pela falta do foto-síntese dos raios solares perdeu-se toda a lavoura e pelo final do ano, começou a fome para o povo e, conseqüentemente  para os animais , pois a falta de aveia e forragens mataram os animais domésticos (ovelhas, vacas, cabras, aves, etc.) e mormente os cavalos, principal meio de transportes na época morriam de fome ou eram sacrificados para matar a fome do povo. A estranha crise climática foi o período negro da história e, de baixo daquela nuvem de pó e cinzas, deixando a terra no escuro durante anos foi que surgiu a inevitável crise nos transportes pela falta dos eqüinos. A “necessidade é a mãe da invenção”,  um jovem alemão, o barão Karl Von Drais, inventou um veículo para substituir os cavalos como meio de transporte: um engenhoca como um velocípede de quadro de madeira e duas rodas que eram impulsionada por passadas consecutivas  das duas pernas. Drais patenteou seu invento e começou a vende-los para toda a Europa.  Pirataria generalizada é o primeiro sintoma de que as grandes invenções tem tanto sucesso que, as Leis e os tribunais,  não conseguem vencer, levando o inventor a perder o direito de autoria da sua invenção. Foi assim que a “draisiana ou velocípede de madeira”  deu a idéia de uma invenção que veio trazer benefícios a humanidade, obviamente passando pelo processo de evolução dos homens de gênio!  Hoje temos as bikes de carbono e de titânio até!

*é escritor e jornalista

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