O Brasil dos Brasis

Prof. Dr. Marco Antônio Stanojev Pereira, PhD

Considerando os Poderes que pairam sobre o cargo, eu concebo a eleição presidencial e o pós-posse da seguinte maneira: As convulsões temporais na escolha dos presidenciáveis tencionam drasticamente, dramaticamente e mesmo harmoniosamente para os mais cotados, vergastada pelos Poderes da Informação, com ação direta na opinião pública, que até o fim do processo, e mais além, está crente que seu desejo é soberano, e a escolha do mais votado está respaldada na sagração divina, baseada nos ditos populares que se “a voz das urnas é a voz do povo”, “a voz do povo é a voz de Deus”. 
Após, começa-se as disputas individuais, considerando o Poder de Comunicação de cada candidato, somado ao poder financeiro que cada um dispõe, amealhado segundo a legislação eleitoral ou não, no qual são incrementados pelos membros detentores do Poder Financeiro, que investem em seu desejável campeão, com vistas ao espólio final, moral ou material. 
Acontece que estes detentores do Poder Financeiro, que é a real vontade das urnas, jamais colocam todos os ovos em um só cesto, diversificando seus investimentos em outros fundos. Aqui não importa o nome, time, cor ou credo de seus patrocinados, importa a garantia que não estarão de fora do futuro governo, seja qual for a ideologia.
Passado o trauma da eleição e o inevitável cisma social, o eleito é conduzido ao seu gabinete oficial, e lá se depara com seu retrato na parede e com os vários Brasis, cada qual reclamando seu bocado do bolo. Temos aí o Glen Brazil, bebendo seu Single Malte. O Hans Brasilien e o Stuart Brazil, apreciando seus legítimos Havaianas. O George Brazil e o Eberhard Brasilien com seus tacos de golfe planejando ir ao clube no próximo fim de semana. Sentado na poltrona de couro está Petr Braziliya, aproveitando seu caviar e vodca, além do Jean Claude Brésil e o Jing-Quo Bāxī, enfim, os Brasis que representam e concentram cerca de 93% do Poder Político e Financeiro que movimenta e gerencia a máquina estatal, incluindo a influência direta na elaboração de leis de seus interesses, bem como o cuidado da saúde financeira nacional para seus investimentos.
Nesta soma, restam os outros 7%, que é composto pelos outros Brasis, aquele retratado pelos personagens chamados de “Os miseráveis” na obra de Victor Hugo, popularmente aqui conhecidos como Josés e Silvas Brasil, que detém o incrível Poder de sobreviver cada dia com suas dificuldades. Parcela realmente responsável pela lubrificação da máquina social que movimenta os vários setores da nação com o sangue e suor de seus rostos, acompanhados pela audição da sinfonia dos estômagos vazios de seus filhos, cuja esperança contínua e perene do amanhã melhor está talhado em seus rostos macerados, marcados pelos vales das rugas precoces que despontam em suas faces, grupo social classificado normalmente como Povão ou, conforme o humor dos classificadores, como Povinho.
Em quais destes Brasis você leitor, você leitora, que me honra com sua atenção na leitura deste artigo, se encaixa?

 

*Ser ou não greve geral
*Caçada ao erro maior
*A memória do bolso
*A lista negra da corrupção